Jornalismo
Veja estratégias para consulta oftalmológica de crianças com autismo
Especialista aponta preparação, adaptação do ambiente e comunicação objetiva como caminhos para reduzir barreiras no atendimento
Por Redação com informações da Agência Brasil10 SET. - 07H34
Jornalismo - Veja estratégias para consulta oftalmológica de crianças com autismo (Foto: Paula Laboissière/Agência Brasil)Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) enfrentam barreiras no atendimento oftalmológico, como hipersensibilidade sensorial, intolerância à quebra de rotina e baixa adesão ao tratamento em casa, incluindo rejeição ao uso de óculos e tampão de olho. A oftalmologista Raíra Fortuna afirma que cerca de 40% das crianças com TEA apresentam transtornos de ansiedade associados, enquanto menos de 4% dos médicos especialistas relatam ter recebido capacitação para atender pacientes no espectro.
Para a especialista, boa parte do que é considerado mau comportamento durante a consulta reflete confusão ou sobrecarga, e não oposição. "É a manifestação do autismo em um ambiente pouco adaptado", afirma. A consequência é a dificuldade ou impossibilidade de completar o exame, essencial para a saúde ocular. Estudos mostram que a prevalência de estrabismo em crianças com TEA gira em torno de 41%, contra 3% em crianças com desenvolvimento típico.
Durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, em Salvador, a médica apresentou estratégias para uma consulta mais tranquila. O primeiro passo é a preparação: agendamento em horários com menos espera, questionário pré-consulta para conhecer o perfil sensorial e os gatilhos da criança, além do envio de vídeos curtos mostrando o consultório e os equipamentos.
Ambiente - A adaptação do ambiente inclui sala de espera mais calma, redução de sons e luzes intensas, permissão para uso de fones de ouvido e a possibilidade de a criança trazer objetos de conforto. Na execução do exame, a recomendação é usar frases curtas e objetivas, mostrar os equipamentos antes de usá-los, garantir tempo de processamento das informações e avisar antes de qualquer toque.
A médica ressalta que toda a equipe do consultório deve ser capacitada para atender pacientes com TEA. "Quando o exame não funciona, talvez o problema esteja nas formas como estamos examinando", avalia. Para ela, preparar o ambiente, os materiais e as estratégias são investimentos que valem a pena.
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