Jornalismo
Universidades brasileiras participam de pesquisa para cura da hepatite B
Estudo pretende observar tanto o comportamento do vírus em pacientes de diferentes países como as respostas imunológicas das pessoas infectadas
Por Redação31 AGO. - 08H17
Jornalismo - Universidades brasileiras participam de pesquisa para cura da hepatite B (Foto: Reprodução/Internet)Duas universidades públicas brasileiras se uniram a instituições internacionais na busca de novos tratamentos e até mesmo de uma cura para a hepatite B. O consórcio é liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e é composto por grupos de pesquisa do Brasil, Índia, Senegal e Uganda.
O Brasil é representado pelo Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes) e pela Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa irá observar, a nível celular, tanto o comportamento do vírus em pacientes de diferentes países como as respostas imunológicas das pessoas infectadas.
Serão analisadas também pessoas infectadas ao mesmo tempo por hepatite B e HIV. A professora do Hucam-Ufes, Tânia Reuter, afirmou que a doença não tem cura e defendeu a pesquisa. “O primeiro objetivo é eliminar as hepatites virais, no nosso caso aqui, eliminar a hepatite B como problema de saúde pública até 2030”, declarou.
O consórcio foi criado em 2023, mas acabou sendo suspenso em 2024 e retomado no ano seguinte. No Brasil, o estudo foi iniciado em 2026 e deverá durar cerca de 5 anos.
A metodologia integra pesquisa científica básica com prática clínica. Segundo a professora Reuter, os pesquisadores irão observar 600 pacientes com hepatite B e com a coinfecção por hepatite B e HIV por cerca de quatro anos e meio cada.
O estudo pretende identificar o que faz com que o vírus evolua diferentemente em cada paciente, quais características genéticas são capazes de proteger as pessoas de uma evolução mais rápida e quais subpartículas do vírus podem funcionar como preditores de cura ou de tratamento.
Hepatite B - A hepatite B é uma doença viral silenciosa que ataca o fígado. Ela ainda não tem cura e a progressão pode levar a quadros de cirrose, câncer hepático e morte. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 240 milhões de pessoas vivem com infecção crônica, segundo dados de 2024.
Segundo o Ministério da Saúde, 276,6 mil casos foram confirmados entre 2000 a 2022 no Brasil. A hepatite B pode ser transmitida sexualmente e por contato com sangue contaminado, inclusive durante a gestação ou no parto, passando da mãe para o bebê.
O vírus do tipo B é 100 vezes mais contagioso que o HIV, de acordo com a Sociedade Brasileira de Clínica Médica. A meta global da OMS é erradicar o HIV, as hepatites virais e as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) como ameaças à saúde pública até 2030.
Prevenção - Segundo o Ministério de Saúde, a principal forma de prevenção é o imunizante, que está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para todas as pessoas não vacinadas, independentemente da idade.
Para crianças, a recomendação é que tomem quatro doses da vacina: ao nascer, aos 2, 4 e 6 meses de idade. Já os adultos não vacinados devem tomar três doses. Outras formas de prevenção são uso de preservativo interno e externo em todas as relações sexuais e não compartilhar objetos perfurocortantes e os de uso pessoal.
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