Jornalismo
Uma tonelada de lixo espacial cai na Terra toda semana, alertam cientistas
Queda de fragmentos de foguetes e satélites tem se tornado mais frequente; incidentes recentes ocorreram no Quênia e Canadá
Por Redação com informações do R703 AGO. - 13H34
Jornalismo - Uma tonelada de lixo espacial cai na Terra toda semana, alertam cientistas (Foto: Divulgação/Nasa)A queda de lixo espacial na Terra tem se tornado uma preocupação crescente para cientistas e autoridades. Dados da Força Espacial dos EUA mostram que os alertas sobre objetos reentrando na atmosfera subiram de 110, em 2015, para quase 820, em 2025. Apenas uma tonelada de detritos espaciais cai no planeta a cada semana, segundo Mariusz Slonina, da Agência Espacial Polonesa, em entrevista ao The New York Times.
Embora a maioria dos objetos seja destruída pelo calor da reentrada, fragmentos têm atingido o solo em diversas partes do mundo. Em dezembro, moradores da vila de Mukuku, no Quênia, registraram a queda de um anel metálico de centenas de quilos, identificado como parte de um foguete francês lançado há 16 anos. O impacto provocou rachaduras em casas da região. Outros episódios ocorreram na Flórida, Polônia e Canadá.
A previsão do local de impacto é um desafio técnico: um erro de um minuto na reentrada pode alterar a região de queda em quase 480 quilômetros. Essa imprecisão gera tensões, como no Mar do Sul da China, onde 13 peças de foguetes chineses foram encontradas nas Filipinas nos últimos quatro anos.
Falhas nas previsões e desafios legais - Incidentes recentes mostram que as previsões sobre a desintegração dos equipamentos nem sempre se confirmam. A SpaceX afirmou que seus satélites seriam totalmente destruídos, mas fragmentos foram localizados em uma fazenda no Canadá e perto de um shopping na Polônia. A empresa agora admite que 5% da massa de alguns equipamentos pode não se desintegrar.
A legislação internacional sobre responsabilidade por danos, criada durante a Guerra Fria, e as diretrizes da ONU para reduzir detritos não têm caráter obrigatório. No caso do Quênia, a identificação da peça levou meses, e o governo local ainda não pediu indenização à França.
O que está em jogo - Um estudo para a Administração Federal de Aviação dos EUA estima que, até 2035, destroços de satélites poderão causar ferimentos ou mortes a cada dois anos. Propostas para regras mais rígidas enfrentam resistência da indústria espacial.
Especialistas recomendam a obrigatoriedade do uso de materiais que garantam a desintegração total na atmosfera para mitigar os riscos à população em solo.
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