Jornalismo
TSE reforça segurança das urnas eletrônicas com 40 etapas de fiscalização e auditoria
Tribunal destaca testes públicos, análise do código-fonte e participação de órgãos, universidades e sociedade para garantir a transparência do processo eleitoral.
Por Redação30 JUL. - 15H05
Jornalismo - TSE reforça segurança das urnas eletrônicas com 40 etapas de fiscalização e auditoria (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)Faltando pouco mais de dois meses para as Eleições 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforçou que as urnas eletrônicas, utilizadas há 30 anos no Brasil, passam por cerca de 40 etapas de fiscalização e auditoria. Segundo a Corte, o processo envolve órgãos públicos, partidos políticos, universidades e representantes da sociedade civil, com o objetivo de assegurar a transparência e a confiabilidade do sistema eleitoral.
De acordo com o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Júlio Valente, o sistema brasileiro está entre os mais auditáveis do mundo e não registra casos comprovados de fraude desde a implantação das urnas eletrônicas, em 1996. Ele afirmou que, acima de qualquer argumento técnico, o histórico sem registros de fraude comprovada reforça a segurança do modelo adotado pelo país.
Uma das principais etapas de fiscalização é o Teste Público de Segurança (TPS), realizado em anos sem eleições. A iniciativa permite que qualquer brasileiro com mais de 18 anos apresente propostas para tentar identificar vulnerabilidades nos sistemas eleitorais. Segundo Valente, não é necessário ser especialista em tecnologia para participar. Sempre que uma fragilidade é encontrada, a equipe técnica do tribunal implementa as correções e convida os próprios participantes a retornarem ao TSE para verificar se os problemas foram solucionados antes do período eleitoral.
Além do TPS, o tribunal também abre o código-fonte de todos os sistemas utilizados nas eleições para análise de entidades fiscalizadoras um ano antes do pleito. Entre as instituições habilitadas estão o Congresso Nacional, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Tribunal de Contas da União (TCU), a Polícia Federal, partidos políticos e universidades com departamentos de tecnologia da informação. De acordo com o secretário, nenhuma linha do código é mantida em sigilo, permitindo uma fiscalização independente do funcionamento dos programas.
O TSE informou ainda que o TPS já foi realizado oito vezes desde sua criação e recebeu contribuições de pesquisadores de universidades e especialistas em tecnologia, além de representantes de órgãos públicos, como a Polícia Federal. As sugestões apresentadas durante os testes resultaram em melhorias nos sistemas utilizados pela Justiça Eleitoral, fortalecendo a segurança do processo e ampliando a participação da sociedade na fiscalização.
O tema voltou ao debate após o Ministério das Relações Exteriores (MRE) confirmar que negou vistos de entrada no Brasil a dois funcionários do governo dos Estados Unidos. Segundo o Itamaraty, a decisão ocorreu após o governo brasileiro tomar conhecimento do interesse do Departamento de Estado norte-americano em enviar representantes para monitorar as urnas eletrônicas. O Departamento de Estado negou que essa fosse a finalidade da missão.
Diante da repercussão, o Tribunal Superior Eleitoral marcou para o dia 17 de agosto uma nova reunião com embaixadores, representantes diplomáticos e organismos internacionais. O encontro tem como objetivo apresentar o funcionamento das urnas eletrônicas, detalhar as etapas de auditoria e fiscalização e esclarecer dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro antes das eleições de 2026.
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