Jornalismo
Trump cita PCC e CV e diz que Brasil não conseguiu enfrentar facções
Declaração consta em documento anual enviado ao Congresso norte-americano; EUA identifica países considerados importantes no trânsito ou produção de drogas ilícitas
Por Redação17 SET. - 08H02
Jornalismo - Trump cita PCC e CV e diz que Brasil não conseguiu enfrentar facções (Foto: Win Mcnamee/Getty Images)O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o governo brasileiro por ter “falhado” no enfrentamento às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A declaração consta em documento anual enviado ao Congresso norte-americano, datado de terça-feira (15).
No texto, o líder dos EUA identifica países considerados importantes no trânsito ou produção de drogas ilícitas para o ano fiscal de 2027, além de apresentar avaliações individuais sobre diferentes governos.
Segundo Trump, enquanto "muitos governos do Hemisfério Ocidental" adotaram "medidas corajosas" para reduzir os fluxos de drogas e erradicar os cartéis, "o governo do Brasil não conseguiu enfrentar as organizações terroristas estrangeiras designadas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o Brasil em um centro para os fluxos globais de cocaína".
O governo dos EUA já havia designado o PCC e o CV como Organizações Terroristas Estrangeiras durante um anúncio feito pelo Departamento de Estado em 28 de maio, e a medida entrou oficialmente em vigor em 5 de junho. A decisão foi tomada com base na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade dos Estados Unidos e em uma ordem executiva do presidente.
PCC e CV - Na ocasião, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que PCC e CV estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e que suas redes ultrapassariam as fronteiras brasileiras.
A designação como organizações terroristas amplia os instrumentos disponíveis às autoridades dos Estados Unidos para aplicar sanções e adotar medidas contra pessoas e entidades associadas a esses grupos.
Na época, o governo brasileiro contestou a classificação e defendeu que o combate às organizações criminosas seja realizado pelo Brasil, com cooperação internacional e respeito à soberania nacional.
Apesar disso, o Brasil não é designado no documento de Trump como um país que tenha "falhado de maneira demonstrável" em cumprir suas obrigações internacionais de combate às drogas com base nas leis norte-americanas. Essa classificação foi aplicada a Afeganistão, Bolívia, Birmânia, Colômbia e Venezuela.
O Brasil também não se enquadra como figura na lista dos principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas. São eles: Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, Birmânia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haití, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela.
Resposta brasileira - O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) refutou, em nota, as alegações de que existam falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional.
"A posição estampada na referida nota desconsideraria, se acolhida em todos os seus termos, os esforços do Governo Federal no enfrentamento ao crime organizado, como a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, que prevê penas mais severas para líderes de facções e cria mecanismos que asfixiam suas operações", diz o texto.
Segundo a pasta, a manifestação do líder norte-amerciano também não leva em consideração "as dezenas de milhares de operações" de combate ao crime por forças federais, "com bilhões de reais de prejuízo aos criminosos, bem como as múltiplas ações implementadas em 2026 no âmbito do Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio último, que sufoca economicamente as facções, fortalece o sistema prisional, qualifica a investigação de homicídios e enfrenta o tráfico de armas".
Elogios aos aliados internacionais - Na mensagem, Donald Trump faz elogios a países com governantes considerados mais próximos aos EUA, como Argentina, Equador e El Salvador.
Trump também faz menções positivas sobre Venezuela, Bolívia, Colômbia e Peru, citando especificamente as mudanças recentes de governo nesses países como fator de alteração da percepção no enfrentamento ao narcotráfico, contrastando com o tratamento dado ao Brasil e à Nicarágua.
Críticas de Trump - Apesar do documento de Trump reconhecer alguns esforços dos vizinhos México e Canadá, o tom em relação a esses países é mais crítico do que sobre os governos alinhados da América do Sul.
"Embora meu governo tenha protegido com sucesso nossas fronteiras contra a invasão, Canadá e México precisam fazer muito mais para interromper os fluxos de drogas mortais para nosso país”, pontuou.
Sobre a China, maior rival econômico dos EUA, o documento citou que o gigante asiático continua sendo o maior produtor mundial de muitos dos produtos químicos precursores utilizados na produção ilícita de fentanil, metanfetamina e outras drogas sintéticas.
Trump cobrou da China medidas "mais agressivas" para reduzir efetivamente o fluxo dessas substâncias, "incluindo a classificação de produtos químicos precursores e substâncias adicionais solicitadas pelos Estados Unidos".
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