Jornalismo
Transporte público: Usuários alertam para a falta de investimentos, longas esperas e superlotação
Estudo revela a falta de uma gestão eficiente e de uma prioridade ao transporte coletivo
Por Jackson Rafi09 DEZ - 12H24
Jornalismo - Transporte público: Usuários alertam para a falta de investimentos, longas esperas e superlotação (Foto: )A região metropolitana do Recife vive um cenário em que engarrafamentos deixaram de ter hora marcada e os altos índices de insatisfação entre os usuários é confirmada por um estudo realizado pelo Centro Universitário UNIFARIRE.
Segundo a pesquisa, 75% dos passageiros se sentem inseguros no transporte coletivo, 72% reclamam da superlotação, 70% avaliam o conforto como ruim, 66% consideram o tempo de espera excessivo, 60% acham a tarifa cara e outros 57% enfrentam dificuldades de acessibilidade.
Para muitos, a solução tem sido recorrer ao veículo próprio ou por aplicativo, uma solução que, segundo especialistas, aumenta ainda mais a quantidade de carros e motos nas ruas, agravando o trânsito nas regiões.
“A partir do momento em que a população deixa de utilizar o transporte público e começa a utilizar outros veículos, seja próprio ou por aplicativo, a gente entende que a cidade começa a ter mais veículos e com isso o trânsito piora”, comentou João Nogueira, coordenador da UniFAFIRE Inteligência de Mercado.

Na Zona Norte, acompanhamos a rotina da professora Laisa, que precisa sair de casa pela manhã para ir ao trabalho. Ela conta que espera entre 10 e 15 minutos pelo ônibus, mas admite que não é raro demorar muito mais. Outros passageiros relatam a mesma frustração. “A gente sai de casa cedo com expectativa de chegar cedo ao trabalho, mas sempre se depara com o trânsito”, compartilhou uma passageira à nossa equipe de reportagem.
Com aproximadamente 170 mil passageiros circulando por dia, o metrô do Recife, terceiro maior em malha ferroviária do país, também sofre com abandono. Usuários relatam atrasos, falhas constantes, falta de acessibilidade nas estações e vagões sem climatização.
“A gente está com um sistema que tem 40 anos de operação, desde 1985, e nos últimos seis anos não tivemos investimento nenhum. Todo ano pedimos orçamento e a um tempo que não conseguimos receber a quantia necessária para fazer a manutenção do sistema”, comentou Salvino Gomes, gerente de comunicação da CBTU-Recife.

Para Ivan Cunha, especialista em mobilidade urbana, o quadro só deve mudar com gestão eficiente e prioridade ao transporte coletivo. Hoje, apenas 35% das cidades brasileiras têm trânsito municipalizado. Em Pernambuco, 47 municípios estão conectados ao sistema, número considerado baixo para garantir soluções abrangentes.
“Esse baixo número de municípios fazendo gestão impossibilita de terem soluções. O que dificulta ações de engenharia viária, sinalização inteligente e planejamento integrado”, comentou Ivan.
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