Jornalismo
Suspeito pela morte de Ester, menina encontrada na cacimba, teria atraído a vítima com um achocolatado
"Ele me matou junto com a minha filha", desabafou o pai da criança
Por Abel Santos18 JUN - 15H01
Jornalismo - Suspeito pela morte de Ester, menina encontrada na cacimba, teria atraído a vítima com um achocolatado (Foto: Reprodução/Redes Sociais)Nesta quinta-feira (18), o caso que chocou Pernambuco e o país ganha um novo desdobramento com a realização da primeira audiência de instrução e julgamento. O processo busca elucidar os detalhes da morte da pequena Ester, de apenas 4 anos, ocorrida em 20 de outubro do ano passado, no bairro do Pichete, em São Lourenço da Mata.
O principal acusado do crime, Fernando Santos, de 31 anos, permanece preso. Segundo as investigações da polícia, o acusado atraiu a criança para sua residência oferecendo um achocolatado. No local, ele teria cometido o crime e, posteriormente, escondido o corpo em uma cacimba de três metros de profundidade, coberta por uma pedra.
Um dos pontos mais perturbadores relatados pelo Ministério Público é a frieza de Fernando após o crime. Enquanto a família e a comunidade realizavam buscas desesperadas pela menina, o acusado teria se aproximado dos familiares oferecendo ajuda e participando de protestos, chegando a sugerir o fechamento de avenidas para pressionar as autoridades, mesmo sabendo que o corpo de Ester estava enterrado em sua própria casa.
Além de Fernando, outras duas pessoas foram denunciadas: Fabiano Rodrigues, de 27 anos, e Wilma Ferreira, de 33. Eles são acusados de ajudar a ocultar o corpo e eliminar provas, o que incluiu a limpeza da cena do crime e a doação de móveis sujos de sangue para que fossem queimados durante os protestos, numa tentativa de dificultar o trabalho da perícia. Diferente do executor, ambos respondem ao processo em liberdade.
Mesmo com a tentativa de destruir vestígios, o trabalho da polícia científica foi determinante para o caso. A advogada Carolina Aguiar, assistente de acusação que representa a família de Ester, destacou que a perícia técnica, utilizando recursos como o luminol, conseguiu identificar sangue humano e confirmar, por meio de DNA, que o material genético encontrado na casa pertencia à criança.
Sobre a natureza dos crimes, a defesa da família mantém o foco na responsabilização total do acusado. Embora o caso tramite em segredo de justiça devido à sensibilidade do tema, a advogada reforça que a legislação é clara quanto ao estupro de vulnerável, que não depende necessariamente da conjunção carnal, mas abrange outros atos libidinosos praticados contra crianças.
A audiência desta quarta-feira ouve depoimentos de familiares, testemunhas de acusação e defesa, além de peritos que participaram da investigação. Para os pais de Ester, o momento é de reviver uma dor insuportável. Segundo a Dra. Carolina Aguiar, a sensação da família ao ver o acusado é de um sofrimento que não encontra palavras: "Ele me matou junto com a minha filha", desabafou o pai da criança, Naldo, momentos antes do início da audiência.
O Ministério Público e a assistência de acusação buscam agora consolidar o conjunto probatório para que a justiça seja feita. Enquanto a defesa dos acusados exerce seu direito constitucional, a acusação sustenta que as provas contra Fernando Santos são contundentes, não deixando margem para teses de defesa que possam eximi-lo da autoria de um crime cometido com tamanha frieza.
ÚLTIMOS VIDEOS

Mulher é atacada por cão de grande porte nas Graças

Moradores denunciam alagamentos e buracos em rua de Enseadas dos Corais

Dupla é presa após roubar cargas de cosméticos no Recife

Taxista é assassinado em tabajara. Suspeitos pulam o muro da casa dele
