Jornalismo
Supertempestades solares podem ser mais intensas, aponta estudo
Pesquisa da NASA publicada na Nature indica que magnetosfera pode não ter limite de proteção contra eventos extremos
Por Redação com informações do R725 AGO. - 07H10
Jornalismo - Supertempestades solares podem ser mais intensas, aponta estudo (Foto: Fala Ciência)Pesquisadores do Goddard Space Flight Center, da NASA, publicaram um estudo na revista Nature que pode mudar a forma como os cientistas avaliam os riscos das tempestades solares extremas. A pesquisa sugere que a magnetosfera terrestre pode não apresentar um limite de resposta diante dos eventos mais intensos, como se acreditava até agora. Isso significa que uma supertempestade solar poderia provocar impactos muito maiores na infraestrutura tecnológica do planeta do que as estimativas tradicionais indicam.
Durante décadas, os dados indicavam que a magnetosfera entrava em uma espécie de saturação diante das tempestades solares mais violentas, deixando de responder proporcionalmente ao aumento da intensidade do vento solar. O novo estudo, liderado por Nithin Sivadas, aplicou uma técnica de calibração estatística aos dados e identificou que essa aparente barreira pode ser explicada por um viés de regressão não linear. Após a correção, a relação entre a intensidade do vento solar e a resposta geomagnética permaneceu mais próxima de uma relação linear, sem a mesma evidência de um limite rígido.
Grande parte das medições do vento solar é feita por satélites posicionados no ponto L1, a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra. O problema é que o vento solar observado nesse ponto ainda precisa percorrer essa distância antes de atingir a magnetosfera, e sua estrutura pode mudar ao longo do trajeto. Essa diferença pode produzir artificialmente uma curva na qual as tempestades mais fortes parecem gerar respostas menores do que o esperado.
Prejuízos - Uma supertempestade solar poderia afetar redes elétricas e transformadores, satélites de comunicação e navegação, sistemas de posicionamento global (GPS), aviação e comunicações de rádio. O risco ganha ainda mais relevância quando se considera um evento comparável ao Carrington, ocorrido em 1859, uma das tempestades geomagnéticas mais intensas já documentadas.
A descoberta não significa que uma catástrofe tecnológica seja inevitável, mas muda uma premissa importante usada para estimar os efeitos de eventos solares extremos. Para satélites, redes elétricas e outras tecnologias dependentes do ambiente espacial, entender corretamente esse limite pode ser decisivo para preparar a infraestrutura antes da próxima grande tempestade solar.
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