Jornalismo
Seu filho não quer voltar para a escola? Saiba como agir sem gritos
Especialistas apontam excesso de telas e falta de movimento como causas; diálogo e redução gradual são recomendados
Por Redação com informações do R704 AGO. - 09H46
Jornalismo - Seu filho não quer voltar para a escola? Saiba como agir sem gritos (Foto: Marcelo S. Camargo / Governo do Estado de SP)O retorno às aulas pode ser um desafio para muitas famílias, especialmente quando as crianças mostram resistência em voltar à escola. Especialistas ouvidos pelo R7 afirmam que o problema é cada vez mais comum e está diretamente relacionado ao uso excessivo de telas e à falta de atividades ao ar livre durante as férias.
Jayne Demsky, fundadora da School Avoidance Alliance, nos Estados Unidos, explica que o tempo prolongado em dispositivos digitais durante o verão torna o ambiente escolar, com suas regras e pouca estimulação digital, um choque para os jovens. "Muitos aplicativos foram projetados para viciá-las, com descargas constantes de dopamina. Não é de admirar que seja difícil para elas acordarem cedo e se concentrarem em tarefas difíceis sem um fluxo constante de recompensas", afirma.
Além disso, as próprias escolas nem sempre oferecem um ambiente que incentive o bem-estar. As crianças passam muito tempo sentadas, com pouco tempo ao ar livre e, em muitos casos, ainda expostas a telas durante as aulas. "Os pais reclamam que seus filhos são sedentários na escola, embora os seres humanos precisem se manter em movimento ao longo do dia para serem saudáveis", observa Demsky.
O que fazer se seu filho não quer voltar à escola?
• Gerencie o tempo de tela em casa: Reduza gradualmente o uso de dispositivos antes do início das aulas. Estabeleça horários para dormir e não deixe o celular no quarto da criança.
• Ajude a criar laços: Incentive seu filho a participar de atividades extracurriculares e a fortalecer amizades. Peça ao professor e ao orientador para se reunirem individualmente com ele.
• Não grite: "Vejo que você está ansioso agora. Eu entendo. Sei que é difícil, mas sei que você tem força para lidar com esse sentimento", sugere Demsky. Agende reuniões com a escola para buscar soluções em conjunto, em vez de pressionar a criança.
• Busque apoio profissional: Procure um profissional de saúde mental para avaliar se há ansiedade ou depressão. Solicite uma avaliação para dificuldades de aprendizagem, se for o caso.
Os especialistas defendem que as escolas devem reduzir o tempo de tela e aumentar o tempo de brincadeiras e atividades ao ar livre. "Para fazer com que queiram retornar, talvez tenhamos que voltar aos métodos à antiga, como lápis, papel e brincadeiras", conclui Demsky.
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