Jornalismo
Receita e MPF miram esquema de sonegação em plataforma de apostas
Operação Jogo de Sombras cumpre seis mandados em PE, PB e SP; grupo teria movimentado R$ 5 bilhões em 2025
Por Redação28 AGO. - 10H15
Jornalismo - Receita e MPF miram esquema de sonegação em plataforma de apostas (Foto: Receita Federal / Divulgação)A Receita Federal e o Ministério Público Federal deflagraram nesta sexta-feira (28) a Operação Jogo de Sombras para apurar sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro relacionadas a apostas esportivas. Seis mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em João Pessoa (PB), Recife (PE) e São Paulo (SP), com participação de 28 servidores da Receita e 10 procuradores.
O alvo da investigação é um grupo empresarial que opera uma plataforma de apostas de quota fixa. Segundo as apurações, a empresa teria movimentado mais de R$ 5 bilhões somente em 2025. As supostas irregularidades ocorreram tanto antes quanto depois da regulamentação do setor no Brasil.
Os investigadores apontam que o grupo criou uma empresa de fachada em Curaçao para simular que a operação ocorria no exterior, quando, na verdade, empresas nacionais ligadas ao grupo seriam as responsáveis pela atividade no país. Também foram identificados indícios de uso de contas bolsão em fintechs e operações financeiras estruturadas para dificultar o rastreamento dos recursos entre Brasil e exterior.
Histórico - Mesmo tendo obtido autorização para atuar a partir de 2025, há suspeitas de que a exploração já acontecia antes, sem recolhimento de tributos. Após a regulamentação, o grupo teria adaptado estruturas para manter mecanismos de sonegação, incluindo a declaração de despesas fictícias para reduzir tributos devidos.
Esta é a segunda grande operação conjunta contra irregularidades no mercado de apostas. No dia 13 de agosto, a Operação Arena cumpriu 17 mandados em cinco estados e determinou apreensão de até R$ 1 bilhão. Paralelamente, a Receita instaurou 11 procedimentos fiscais, com potencial de recuperação de cerca de R$ 300 milhões aos cofres públicos.
A investigação segue com análise de fluxos financeiros nacionais e internacionais, origem dos recursos e identificação dos beneficiários finais. Uma coletiva de imprensa está marcada para as 10h45 em Brasília, na Esplanada dos Ministérios, para detalhamento da operação.
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