Jornalismo
Quadrilha usava falsas vagas de emprego para acessar contas bancárias em PE
Criminosos atraíam vítimas com salários de até R$ 38 mil e utilizavam selfies para tentar burlar o reconhecimento facial dos bancos
Por Redação14 SET. - 17H03
Jornalismo - Quadrilha usava falsas vagas de emprego para acessar contas bancárias em PE (Foto: Polícia Civil / divulgação)A Polícia Civil de Pernambuco identificou uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes por meio de falsas entrevistas de emprego. Segundo as investigações da Delegacia de Polícia da Rio Branco, quatro casos já foram identificados, com prejuízos superiores a R$ 500 mil. Dois suspeitos, ambos naturais do Paraná, foram presos durante a apuração.
Os criminosos selecionavam as vítimas a partir de informações disponíveis em redes sociais voltadas para relações profissionais. As propostas ofereciam salários elevados, de até R$ 38 mil, além de benefícios. Durante a suposta entrevista, realizada em uma sala de coworking, o falso recrutador apresentava um formulário extenso e solicitava uma selfie, alegando que a imagem fazia parte do processo seletivo. A vítima também era orientada a desligar o celular ou colocá-lo no silencioso.
De acordo com o delegado Ernesto Novaes, titular da Delegacia da Rio Branco, a fotografia era enviada para outro integrante do grupo, que tentava acessar remotamente os serviços bancários da vítima por meio do reconhecimento facial. Com o acesso, os criminosos buscavam realizar transferências, contratar empréstimos e até financiar veículos. Em um dos casos, uma vítima teve um prejuízo de R$ 120 mil.

A investigação também revelou que a mesma sala de coworking foi utilizada novamente pela quadrilha. Em uma dessas ações, realizada no dia 6 de agosto, os policiais prenderam em flagrante um falso entrevistador. A tentativa de golpe foi frustrada depois que a vítima desconfiou do pedido para desligar o celular e encontrou mensagens do banco indicando uma tentativa de alteração de senha por reconhecimento facial. Uma segunda prisão ocorreu no dia 9 de setembro, durante outra falsa entrevista.
A Polícia Civil acredita que o número de vítimas seja maior e aponta que os suspeitos presos em Pernambuco podem fazer parte de uma organização com atuação em outros estados. Há registros de crimes semelhantes em Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. A corporação orienta candidatos a desconfiarem de ofertas com salários muito acima do mercado, verificarem a empresa e as credenciais dos entrevistadores e nunca fornecerem selfies, imagens do rosto ou dados bancários durante processos seletivos.
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