Jornalismo
Profissionais de saúde alertam avanço de riscos de suicídio ligados às bets
Especialistas defendem tratamento aberto da ideação suicida e apontam sinais de alerta em pacientes com dependência em apostas
Por Agência Brasil10 SET. - 09H10
Jornalismo - Profissionais de saúde alertam avanço de riscos de suicídio ligados às bets (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)Neste Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, profissionais de saúde mental alertam para o avanço da dependência em apostas online e sua relação com o sofrimento psíquico. Pacientes que buscam ajuda por causa da ludopatia chegam, na maioria das vezes, com humor deprimido e pensamentos de morte. A psiquiatra Katia Branco, do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que a situação é agravada pelos prejuízos financeiros. “Estão extremamente ansiosos em virtude dos prejuízos que têm por causa dos jogos. Há quem tenha pensamentos de morte e, no caso, os mais graves já com a ideação suicida”, afirma.
Segundo a especialista, a ideação suicida deve ser tratada de forma mais aberta, tanto no consultório quanto nos grupos terapêuticos. “Com manejo adequado, podemos reduzir o risco e tentar ajudar os pacientes”, destaca. Ela lembra que a ludopatia é uma condição médica caracterizada pelo desejo incontrolável de continuar jogando e que, por isso, exige acompanhamento profissional.
O neurocirurgião Orlando Maia, do Rio de Janeiro, explica que o mecanismo de dependência envolve condições orgânicas. Quando uma pessoa aposta, o cérebro pode liberar dopamina diante da expectativa de ganhar. “O sistema de recompensa pode começar a falar mais alto do que os mecanismos de controle das decisões”, diz. Ele alerta que a ideia suicida ocorre no aprofundamento de quadros depressivos, levando a uma frustração contínua.
Lista de sinais - Profissionais ouvidos pela Agência Brasil listam sinais que devem deixar pacientes, familiares e amigos atentos. Entre eles estão desesperança, sensação de estar sem saída, afastamento das pessoas, aumento do uso de álcool e mudanças importantes de comportamento. Falas relacionadas à morte ou a não querer mais viver devem ser motivo de atenção e procura de ajuda.
Dados do Ministério Público do Trabalho mostram que a procura por atendimento psiquiátrico para tratamento de vícios em apostas cresceu 206% no Brasil nos últimos três anos. O neurocirurgião Orlando Maia considera fundamental que as campanhas do Setembro Amarelo reforcem o papel do cuidado e de serviços como o Centro de Valorização da Vida (CVV). O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, por chat e e-mail, 24 horas por dia.
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