Jornalismo
Polícia Federal de Pernambuco mais forte após a criação da FICCO
Força Integrada de Combate ao Crime Organizado vem tirando de circulação criminosos de alta periculosidade e apreendendo mais drogas e armas em Pernambuco
Por Wagner Oliveira19 SET - 13H18
Jornalismo - Polícia Federal de Pernambuco mais forte após a criação da FICCO (Foto: )O crime organizado em Pernambuco tem sido monitorado e combatido de perto, e com mais afinco, há exatos três anos. Com o objetivo de reduzir a criminalidade no estado, em setembro de 2022, foi criada a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO). A FICCO é um programa nacional de combate à criminalidade violenta que funciona por meio do trabalho integrado dos órgãos de segurança pública federal e estadual.
Em Pernambuco, participam da FICCO as polícias Federal, Civil, Militar e Penal. Os policiais trabalham em ambiente compartilhado e utilizam recursos do Governo Federal para realizarem as investigações. Crimes como tráfico de drogas, de armas, homicídios, exploração sexual infantil, assaltos, lavagem de dinheiro e ainda prisões de criminosos foragidos estão na mira dos investigadores.
O delegado da Polícia Federal em Pernambuco Eduardo Passos atua como coordenador da FICCO desde fevereiro de 2024. Ele destaca a importância da parceria entre as forças de segurança no combate aos crimes praticados no estado. “Os resultados dos trabalhos da FICCO são muito positivos e a força se consolidou como uma ferramenta importante no combate à criminalidade no estado”, declarou.
No início deste mês, uma investigação iniciada pelos policiais da FICCO ainda no ano de 2024 resultou na deflagração da Operação Sintonia Fina. A operação desarticulou um grupo criminoso responsável por tráfico de drogas, comércio ilegal de armas de fogo, homicídios e lavagem de dinheiro. O grupo agia no Recife, na Região Metropolitana e no interior do estado.
O alvo principal dos investigadores foi o Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa de São Paulo que há alguns anos tem atuado também no estado de Pernambuco. Segundo a Polícia Federal (PF), um total de R$ 328 milhões foram movimentados pelos criminosos nos últimos anos. Oito toneladas de drogas foram apreendidas durante as investigações.
“Essa droga chega aqui por meio rodoviário. Fizemos grandes apreensões e uma delas resultou na apreensão de quase cinco toneladas de cocaína. Mesmo assim, o grupo criminoso não se intimidou e nem parou de atuar, mostrando que tinha força e poder financeiro. Eles procuraram as facções existentes aqui e se associaram a elas para continuarem praticando crimes”, explicou o delegado regional de Polícia Judiciária da PF-PE, Márcio Tenório.
Dezoito pessoas foram presas, dos 21 mandados de prisão que foram expedidos. Ainda na Operação Sintonia Fina, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão nos estados de Pernambuco, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Um alvo foi o líder do PCC no estado, que já estava preso num presídio federal desde o ano passado e de onde comandava a organização.
Outra prisão de destaque foi a de um homem capturado em São Paulo. Segundo os investigadores, ele fazia parte do alto escalão nacional da organização criminosa e era responsável por enviar grandes quantidades de drogas para Pernambuco e outros estados do Nordeste. A Operação Sintonia Fina é resultado da análise de material apreendido em outras duas operações da FICCO, a Manguezais (2022) e a La Catedral (2024).




Operações realizadas pela FICCO no estado
Em julho deste ano, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Pernambuco (FICCO/PE) realizou a prisão de um dos criminosos mais procurados do estado. Conhecido pelo uso de diversas identidades falsas, o homem foi preso no Cabo de Santo Agostinho. Ele é acusado de crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e associação criminosa. O criminoso foi encaminhado ao Centro de Triagem (Cotel), em Abreu e Lima.
Denominada Operação Conexão Cuiabá, a investigação realizada pela FICCO aconteceu em maio deste ano com o objetivo de desarticular grupo acusado de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em diversas cidades do Nordeste e Centro-Oeste do país. As ações ocorreram nos municípios de Camaragibe, Carpina e São Lourenço da Mata, em Pernambuco, e na cidade de João Pessoa, na Paraíba. Duas mulheres foram presas com drogas e um revólver.
Em abril, a FICCO deflagrou a Operação Kéfale com foco na repressão a um grupo especializado no tráfico interestadual de drogas, lavagem de dinheiro e homicídios. As ações ocorreram em Pernambuco e em outros dez estados, com apoio das FICCOs locais. A polícia descobriu uma rota internacional de drogas que tinha como destino a Praia de Porto de Galinhas, no litoral Sul, e outros pontos do Recife.
Somente nesta operação, estavam sendo cumpridos 60 mandados de prisão preventiva e 49 mandados de busca e apreensão. Também houve medidas assecuratórias em desfavor do grupo investigado nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Sergipe, Piauí, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Tocantins e Rondônia. Mais de 400 policiais participaram da operação.
Em outubro do ano passado, a FICCO realizou a prisão de homem que estava foragido desde o mês de janeiro. Ele era apontado como líder de uma organização criminosa com atuação na Mata Sul do estado, particularmente, nos municípios de Rio Formoso e Tamandaré. A quadrilha é acusada de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e prática de homicídios e estava buscando alianças nos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte.
Ainda no mês de outubro, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado prendeu três suspeitos de integrarem uma organização criminosa especializada em roubo de veículos de transporte de valores, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Dezoito policiais participaram da operação que apreendeu armas, munições, celulares e três carros num sítio na Zona Rural de Glória do Goitá.

Mais de 80 prisões realizadas pela FICCO apenas neste ano
O delegado federal Eduardo Passos, coordenador da FICCO em Pernambuco, destacou os números obtidos através das operações realizadas pela força. "Em todo ano de 2024, fizemos um total de aproximadamente 130 prisões. Desse total, 90% são resultados de investigações que culminaram em operações. Neste ano, até agora, fizemos 76 prisões em operações e cinco pessoas foram presas em flagrante", ressaltou Passos.
Entre os destaques apontados pelo delegado estão a diminuição no número de mortes entre o Pina e Brasília Teimosa. "Havia uma guerra pela disputa do domínio de território entre a comunidade do Bode e Brasília Teimosa. Quase todos os dias havia um homicídio na área. A FICCO conseguiu prender o líder de um grupo no Rio de Janeiro e, após essa prisão, a quantidade de assassinatos diminuiu naquela área", pontuou Passos.
Outro ponto destacado pelo delegado foi a prisão de um dos líderes do tráfico de drogas no Litoral Sul do estado. "Conseguimos diminuir muito a questão do tráfico na região de Porto de Galinhas com a prisão de um líder do grupo na Operação Manguezais. Ele hoje está preso no Presídio Federal de Campo Grande (MS). A FICCO tem feito prisões importantes e conseguindo desarticular quadrilhas que tinham alto poder", declarou o delegado.
O trabalho desempenhado pelas policiais estaduais e sob supervisão da Polícia Federal tem dado tão certo que recebe apoio irrestrito do governo do estado através da Secretaria de Defesa Social (SDS). Recentemente, a governadora Raquel Lyra anunciou que irá lançar uma base avançada para o funcionamento da FICCO na cidade de Petrolina, no Sertão do estado.
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