Jornalismo
Pesquisa revela que demora no diagnóstico agrava esclerose múltipla
Estudo foi lançado durante a campanha Agosto Laranja para conscientização sobre a doença e ouviu 368 pessoas em tratamento no Brasil
Por Redação28 AGO. - 10H42
Jornalismo - Pesquisa revela que demora no diagnóstico agrava esclerose múltipla (Foto: NeuroGraphix Studio/ AdobeStock)Cerca de um quarto dos pacientes com esclerose múltipla chega a demorar mais de cinco anos para receber o diagnóstico, o que favorece a progressão da doença. Essa informação foi divulgada por uma pesquisa da HSR Health, em parceria com a Roche Farma, divulgada pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) nesta sexta-feira (28).
O estudo foi lançado durante a campanha Agosto Laranja, para conscientização sobre a doença, e ouviu 368 pessoas em tratamento contra esclerose múltipla no Brasil. Mais da metade dos entrevistados (56,8%) recebeu um diagnóstico incorreto antes da confirmação da esclerose múltipla.
Além disso, 26,6% esperaram mais de cinco anos pelo diagnóstico definitivo, e 14,1% levaram uma década ou mais entre os primeiros sintomas e a confirmação da doença. Especialistas apontam que a agilidade no diagnóstico é importante para retardar danos permanentes à saúde que podem ser causados pela doença.
Segundo a pesquisa, para 36% dos entrevistados, a principal barreira até o diagnóstico são os médicos e profissionais de saúde e, para 23%, são exames e investigações, como a ressonância magnética, que é um procedimento de custo mais alto. Outros 18% apontaram a própria demora do diagnóstico, enquanto 12% indicaram os custos no acesso ao diagnóstico correto.
Esclerose múltipla - Segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), cerca de 40 mil brasileiros convivem com a doença. A esclerose múltipla acomete principalmente mulheres jovens, na faixa etária de 20 a 40 anos, em sua fase mais produtiva.
A enfermidade faz com que o sistema imunológico ataque a mielina, estrutura que reveste e protege as fibras nervosas, prejudicando a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo e causando impactos na mobilidade, trabalho, rotina, saúde mental e autonomia.
A esclerose múltipla é a causa mais comum de incapacidade por doenças neurológicas em pacientes jovens, excluindo causas traumáticas. Alguns sintomas são similares aos de outras doenças, o que dificulta o diagnóstico. Como o embaçamento visual, por exemplo, que pode ser interpretado como um problema de vista.
A esclerose múltipla é a causa mais comum de incapacidade por doenças neurológicas em pacientes jovens, excluindo causas traumáticas.
Evolução no tratamento - Segundo a pesquisa, a maior parte dos pacientes ouvidos tem a esclerose múltipla sob controle: 48% estão estáveis ou em remissão. Além disso, 39% são economicamente ativos atualmente.
A doença não tem cura, mas já houve um avanço no controle de sua progressão hoje em dia. Apesar disso, o acesso ao tratamento ainda pode ser um desafio. 41,2% relataram ter deixado de realizá-lo ou tiveram que remarcá-lo por dificuldades de acesso, como burocracia dos planos de saúde ou falta de medicação.
Mesmo com o tratamento, os pacientes não deixam de enfrentar diversos obstáculos no dia a dia. 73,4% dos entrevistados deixaram de realizar uma série de atividades que gostariam por problemas emocionais; e 41,6% evitam encontros sociais com frequência.
Com relação à vida profissional, 72,8% relatam prejuízos na renda ou nas oportunidades de crescimento, enquanto 32,6% afirmam ter escondido o diagnóstico no ambiente de trabalho por medo de preconceito ou demissão. Além disso, 85,6% convivem com gastos mensais extras relacionados à doença.
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