Jornalismo
Pernambucano de 18 anos tira nota mil na redação do Enem mesmo sem expectativas
Estudante de Ciência da Computação da UFPE, Caio Silva Braga se destacou ao abordar o envelhecimento na sociedade brasileira com referências históricas, culturais e indígenas
Por Rebecca Lilith16 JAN - 11H47
Jornalismo - Pernambucano de 18 anos tira nota mil na redação do Enem mesmo sem expectativas (Foto: Nicolle Gomes)O pernambucano Caio Silva Braga, de apenas 18 anos, levou um grande susto ao conferir o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): ele conquistou a nota mil na redação. Atualmente cursando Ciência da Computação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o jovem afirma que fez a prova “apenas por fazer” e sem grandes expectativas quanto ao desempenho.
A redação do Enem 2025 teve como tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. Segundo Caio, a proposta surpreendeu positivamente. “Quando você olha e vê um mil, é muito esquisito. Fiquei muito feliz, não tinha muita expectativa”, contou. Ele relata que, ao contrário de outros anos, o tema não trazia diretamente a ideia de “desafio”, o que chamou sua atenção. “Fui ler o texto de apoio e gostei bastante”, completou.
Com o hábito de iniciar a prova pela redação, Caio explica que dedica cerca de dez minutos apenas ao planejamento do texto, antes mesmo de começar o rascunho. Na introdução, ele apresentou a visão dos povos originários sobre o envelhecimento, citando o escritor indígena Daniel Munduruku.
No desenvolvimento, o estudante trouxe uma abordagem histórica ao mencionar a Lei do Sexagenários, destacando como o envelhecimento foi historicamente negado à população escravizada no Brasil. “Falei do envelhecimento como privilégio”, explicou.
A redação também contou com uma referência contemporânea: o filme “Vitória” (2025), estrelado por Fernanda Montenegro e dirigido por Andrucha Waddington e Breno Silveira. A obra retrata a história de Joana Zeferino da Paz, idosa que, sob o pseudônimo de Vitória, atuou como testemunha-chave ao registrar a ação de uma quadrilha no Rio de Janeiro. Para Caio, o filme apresenta o idoso como protagonista ativo da própria história.
“O filme coloca o idoso numa perspectiva de protagonismo, de tomar atitude, fazer por conta própria. Tentei trazer visões diferentes a respeito do envelhecimento no Brasil com o passar do tempo”, afirmou.
Apesar do excelente resultado, Caio garante que não pretende mudar seus planos acadêmicos e seguirá na UFPE. Aos estudantes que ainda sonham com uma vaga na universidade, ele deixa um conselho direto: cuidar da saúde mental deve ser prioridade.
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