Jornalismo
Pedido de impeachment de Priscila Krause chega à Assembleia Legislativa
Oposição acusa gestora de nomear servidores que liberavam pagamentos a hospital do marido; caso está sob análise
Por Rdação20 AGO. - 15H34
Jornalismo - Pedido de impeachment de Priscila Krause chega à Assembleia Legislativa (Foto: Portal da prefeitura)Três deputados estaduais do PSB protocolaram nesta quinta-feira (20), na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), um pedido de impeachment contra a vice-governadora Priscila Krause (PSD). O documento, assinado por Rodrigo Farias, Sileno Guedes e Romero Albuquerque, também aponta a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti, por supostos atos lesivos ao patrimônio público e improbidade administrativa.
A denúncia tem como base uma auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS), realizada entre janeiro de 2023 e julho de 2025 na Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns. O hospital tem como administrador e sócio Jorge Branco, marido da vice-governadora. O relatório apontou irregularidades na estrutura física, na farmácia e na execução de procedimentos como quimioterapia e hemodiálise, além de um prejuízo de R$ 905 mil aos cofres públicos por faturamento sem comprovação.
Segundo a nota divulgada pela oposição, Priscila Krause, quando exerceu interinamente o governo do estado, assinou R$ 200 milhões em orçamento que também beneficiava a unidade de saúde gerida pelo marido. O documento afirma ainda que a vice-governadora nomeou responsáveis pelas áreas jurídica, de licitação e financeira da Secretaria de Saúde que cuidavam da cadeia de pagamento ao hospital.
Valor - A unidade já havia recebido R$ 75 milhões do Governo de Pernambuco, e o Ministério da Saúde determinou a devolução dos valores ao Fundo Nacional de Saúde. Os deputados defendem que o impeachment é necessário para proteger os recursos do SUS e que o caso seja apurado conforme a lei.
A presidência da Alepe informou que o pedido está em análise, sem prazo definido para deliberação. O governo estadual e a vice-governadora ainda não se manifestaram publicamente sobre as acusações.
Em nota de resposta:
O Governo de Pernambuco afirma que as acusações não correspondem aos fatos e que o pedido protocolado por três deputados de oposição na Assembleia Legislativa tem caráter político-eleitoral. O Governo ainda esclarece que a vice-governadora Priscila Krause não integra o quadro societário da Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que presta serviços complementares ao estado há 55 anos, ao longo de 16 governadores.
A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) recebeu o relatório final do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS) relacionado Casa de Saúde, em Garanhuns, e segue com os encaminhamentos dentro da norma jurídica da mesma forma que realiza para qualquer outro prestador da secretaria.
O relatório apontou inconsistências documentais correspondentes a 1,4% do montante analisado. Sendo certo que, das cerca de 150 mil sessões de hemodiálise analisadas uma a uma, o parecer contesta a documentação de apenas 90, o equivalente a 0,06% do total.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) já analisou o caso, ainda em 2024, afastando a hipótese das irregularidades alegadas: “os fatos não indicam a concretização das referidas hipóteses de vedação à contratação”.
Segundo o mesmo parecer, as contratações questionadas pela Alepe “não se tratam de novidades, já tendo sido realizadas, por mais de uma vez, entre o Estado e a Casa de Saúde, inclusive durante o mandato de outra gestão, nos quais foram envolvidas cifras similares às contestadas”.
O Governo de Pernambuco reafirma seu compromisso com a transparência e seguirá prestando todos os esclarecimentos necessários.
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