Jornalismo
Pediatras alertam para riscos de canetas emagrecedoras em crianças
Uso sem indicação médica pode causar déficit de crescimento, transtornos alimentares e pancreatite
Por Redação com informações da Agência Brasil24 AGO. - 15H09
Jornalismo - Pediatras alertam para riscos de canetas emagrecedoras em crianças (Foto: Receita Federal/divulgação)A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou uma nota de alerta sobre o uso sem indicação e sem acompanhamento médico de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, por crianças e adolescentes. Segundo a entidade, o uso inadequado pode aumentar a frequência e a gravidade de eventos adversos.
Entre os riscos estão déficit de crescimento e desenvolvimento, desidratação, distúrbios eletrolíticos, perda de massa muscular, pancreatite aguda e problemas na vesícula. A SBP também alerta que o uso com finalidade estética pode servir de gatilho para transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, além de ansiedade e quadros depressivos relacionados à imagem corporal.
A entidade contraindica a utilização de produtos sem procedência ou registro sanitário, incluindo preparações clandestinas, manipuladas ou importadas sem registro da Anvisa. As canetas emagrecedoras não devem ser usadas por adolescentes com peso adequado apenas para modificar a aparência corporal ou atingir padrões estéticos. Os medicamentos têm indicações específicas, como obesidade e diabetes tipo 2, mas a prescrição não é automática mesmo diante desses diagnósticos.
Terminologia - A SBP recomenda substituir a expressão "canetas emagrecedoras" por "medicamentos para tratar a obesidade". A terminologia é mais precisa por reconhecer a obesidade como doença crônica e deixar claro que o objetivo do tratamento envolve melhorar a saúde e a qualidade de vida, não apenas a perda de peso. Expressões associadas exclusivamente ao emagrecimento podem contribuir para a banalização do tratamento e reforçar o estigma das pessoas com obesidade.
Os eventos adversos mais comuns são gastrointestinais, como náuseas, vômitos, refluxo, azia, diarreia e constipação. Entre os eventos potencialmente graves estão pancreatite, hipoglicemia e colelitíase. A evidência científica disponível demonstra eficácia e segurança desses medicamentos em adolescentes apenas quando utilizados dentro dos critérios adequados e com acompanhamento médico.
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