Jornalismo
PAPO DE ARTISTA: André Rio fala sobre vida pessoal e carreira musical
“A música me escolheu”, diz o artista que atualmente se prepara para uma maratona de shows
Por Mariane Magno12 FEV - 16H23
Jornalismo - PAPO DE ARTISTA: André Rio fala sobre vida pessoal e carreira musical (Foto: Jackson Rafi )Presença forte na cena musical pernambucana, o cantor, compositor e músico André Rio é um dos maiores expoentes artísticos do nosso estado. Com uma voz marcante e uma irreverência única, o artista promove uma mistura de influências rítmicas que vão do regional ao global e que representa a cultura do frevo, carnaval, samba e MPB pelo país afora.
Em entrevista à nossa equipe no 1º #PapodeArtista, André Rio falou sobre a sua vida pessoal e profissional e sobre os planos para este ano. Confere aqui:
>> INÍCIO DA CARREIRA
Filho do compositor Alirio Moraes e sobrinho do maestro Zé Menezes, ele falou sobre os primeiros passos da carreira.
“A música sempre esteve presente no universo da minha casa. Era um encontro de grandes maestros como Duda, de compositores como Moacir Santos e tantos outros gênios da música pernambucana. Eu lembro que aos seis anos de idade, eu vendo aquelas festas, aqueles violões tocando, todos ao mesmo tempo, todo mundo cantando, eu dizia: eu quero ser isso, eu quero ter isso na minha vida”, relembrou.
E começava com aquele velho enxame. Encherimento pernabucano, né? A gente tentando participar, cantando, fazendo uma coisa, outra, até que houve o convite, eu com sete anos de idade, de participar de um festival estudantil. Eu fui cantar num festival estudantil na década de 70, 80 no Recife, e eu ganhei o melhor intérprete, concorrendo com gente de 14 a 18 anos. Isso foi um estímulo muito grande”.
>> CURIOSIDADES
“Por pressão do meu pai, que era advogado também, eu tinha muito medo da carreira artística porque tinha acompanhado muitos artistas que se perderam no caminho [..] daí cursei três anos e me transferi para a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro porque fechei um contrato com a Som Livre.”
“Tentei conciliar, mas não tinha jeito. Sempre acabava faltando às aulas pois tocava nos bares e boates da região e o curso, na verdade, ficou em segundo plano. Não me formei, continuei até hoje cantando pelos carnavais, nos festivais, e sempre a música pernambucana... Então, a música pernambucana, ela na verdade me escolheu!
>> PAIXÃO PELO FREVO
Apaixonado pelo frevo, patrimônio cultural imaterial brasileiro e da humanidade, seus primeiros contatos com o ritmo foram através do Galo da Madrugada, o Maior Bloco de Rua do Mundo. “Meu pai é um dos compositores do Galo e sempre me levava para os encontros com Enéas, que foi o grande fundador do bloco. Com isso, comecei a ter esse contato com o frevo e passei a compor canções para a agremiação, até ter músicas hoje em dia na boca do povo [...] Então, a música pernambucana, ela na verdade me escolheu!”.

Reprodução: Instagram
>> MAIORES REFERÊNCIAS NA MÚSICA
“Tem pessoas que são deuses da música brasileira, que é o Luiz Gonzaga, Tom Jobim, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Arco de Holanda. Essas cinco foram as pautas do mundo da música para mim! Foi aí que eu comecei a entender o violão, a pesquisar, a compor, em cima dessas pessoas [...] Depois vieram os grandes artistas daqui, na pré -adolescência, amando Geraldinho Azevedo, Alceu, Naná Vasconcelos, tudo isso é influência”, disse.
Questionado sobre os ritmos que costumam tocar nas suas playlists do dia a dia, André Rio revelou: “A minha lista de músicas, basicamente, tem dois lados. Tem um lado do músico, que eu considero músico, violonista, sabe? Então eu curto muito ouvir jazz, música instrumental, música que me desafia, bem variado. Desde o frevo raiz das orquestras de Olinda, a música portuguesa, argentina, sabe? Carlos Gardel, ouço tudo! Mas a música que eu gosto mesmo de ouvir é a velha e boa MPB”.
O artista destaca a importância de consumir obras de artistas da nova geração: “Por exemplo, eu estou curtindo muito os meninos daqui, que estão arrebentando! Por exemplo: Martins, Almério, Juliana Holanda, Isabela Morá… toda essa geração instigante e tão verdadeira, que canta com tanto amor. Escuto para me atualizar, para, de repente, aprender. Porque eu acho que a vida artística é isso, é como se fosse um farol. De repente esse farol está apontando para o passado, onde a gente tem um sublime respeito pela obra de Capiba e tantos outros mestres. E também está apontando para o futuro!”, refletiu.
>> A CULTURA NORDESTINA EM OUTROS PAÍSES E A TURNÊ VIVA PERNAMBUCO
André Rio deu início a um projeto de apresentações na Europa e detalhou o processo de preparação para expandir e levar a nossa cultura para fora dos solos brasileiros:
“Esse é um dos maiores orgulhos que eu tenho da minha vida e da minha carreira. Faz exatamente 25 anos que fui convidado para ir a um festival na Europa. Era o Festival de Montreux. Quando eu cheguei lá, tinham três noites brasileiras e dez bandas da Bahia, quatro escolas de samba do Rio de Janeiro, tinha o boi garantido, e de Pernambuco tinha Alceu Valença, cantando uma hora e quinze de show no meio do povo. Aquilo me deu uma indignação e sempre fui um cara meio indignado nas coisas assim”.
“Eu voltei para o Brasil, para o Recife, e pensei: ‘’isso não pode. Eu tenho que fazer alguma coisa!’. Pensei em um festival e criei o Viva Pernambuco, que esse ano completa 25 anos. Levei para a sala principal do festival, a Stravinsky, nomes como Nana Vasconcelos, Elba, Maestro Spock, e Alceu. De lá para cá, ininterruptamente, a gente vem fazendo festivais onde sempre levo alguns convidados. A gente está só começando, porque a vida é hoje. É o que a gente faz agora”, celebrou.

Reprodução: Instagram
>> PREPARATIVOS PARA O CARNAVAL
A maratona de shows de André Rio é oficialmente iniciada nas prévias carnavalescas e se estende até a Quarta-feira de Cinzas. Questionado sobre o planejamento dessas apresentações, ele detalhou:
“Nosso carnaval, na verdade, a gente dá o ponto de partida no Réveillon. Esse ano foi incrível. A gente fez a Lagoa do Araçá, saiu correndo pra Cortês, dois shows muito pegados, muito fortes. Começamos os Ensaios do Carnaval! Iniciamos no Clube Líbano e, agora, junto com o Galo da Madrugada e o Bloco das Ilusões, já são 17 anos desse projeto”.
“Neste período a gente faz uma agenda incrível, né? São muitos shows, tendo como destaque o Marco Zero e o Galo da Madrugada, que são os dois pontos que são maiores de público. Mas vamos fazer também os carnavais descentralizados no Recife, vamos estar em Bezerros e também em alguns bailes municipais como o de São Lourenço e Caruaru. Passaremos por João Pessoa, no Bloco Muriçocas, depois São Paulo… Vamos levar o nosso frevo sempre com amor, respeito, novidade, incremento e muita chuva de sombrinhas para que o povo dance”, disse.
>> CONSOLIDADO NO ESTADO
Apesar do sucesso consolidado em Pernambuco, André Rio alega não ter essa convicção e reforça a importância de manter a essência independente do alcance na indústria artística.
“Eu tenho muito mais certeza de que sou um compositor do que um cantor. Eu gosto mais, até me dá muito mais prazer compor uma música. Eu sou um compositor. É como um alimento! Eu preciso estar com meu violão, caneta e papel, eu curto demais esse momento. E essa coisa do cantor, da apreciação popular, isso é muito bonito, óbvio que é bonito, mas eu não acredito muito nisso não, entendeu?”, disse.
“Eu vi muita gente viver esse glamour e achar que é grande artista e de repente, como não tinha um embasamento, como não tinha um chão sólido, foi na onda de um sucesso e o sucesso é efêmero. Ney Matogrosso já me disse pessoalmente que ‘’coitado daquele artista que acredita no sucesso, porque na verdade o que vale é o conteúdo”.’
“Você tem que fazer coisas que o seu coração manda, tem que esquecer um pouco as coisas comerciais, porque elas são efêmeras, são passageiras. E uma coisa que eu sempre fiz na minha carreira, foi acreditar no meu potencial e naquele privilégio de ter nascido nesse estado plural chamado Pernambuco. Eu defendo com unhas e dentes o meu frevo, o meu maracatu, o meu coco de roda, eu defendo dona Lia, eu defendo Naná Vasconcelos, Alceu Valença, defendo a minha arte. E isso acho que nunca vai me faltar, não paro, porque quem faz as coisas com o coração não tem muita preocupação em ter que agradar comercialmente. Eu faço música pela arte. A arte é livre, a arte é libertária e deve ser assim”, finalizou.
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