Jornalismo
Mulher denuncia perseguição persistente e descumprimento de medida protetiva no Grande Recife
A vítima, que é mãe de dois filhos autistas, vive agora sob constante medo
Por Abel Santos01 JUL - 15H20
Jornalismo - Mulher denuncia perseguição persistente e descumprimento de medida protetiva no Grande Recife (Foto: Reprodução/Redes Sociais)Há quase um ano, uma mulher, que terá sua identidade preservada por motivos de segurança, vive um verdadeiro pesadelo após decidir terminar um relacionamento. O ex-companheiro, identificado como Bruno, não aceita o fim do namoro e iniciou uma sequência de perseguição e ameaças que transformou a rotina da vítima em um estado de pânico constante.
Mesmo após a vítima buscar auxílio policial e obter uma medida protetiva contra ele, o agressor continua a descumprir as determinações judiciais, intensificando as investidas de forma sistemática.
A vítima relata que o ex-companheiro utiliza perfis falsos nas redes sociais para enganar amigos e conhecidos, tentando rastrear seu paradeiro. Devido à perseguição, ela já precisou se mudar de sua residência anterior, pois ele conseguia acesso a contatos próximos para localizá-la.
O assédio é tão frequente que ela chegou a trocar o próprio número de telefone, mas o agressor passou a ligar dezenas de vezes ao dia para o celular da filha da mulher, que possui um histórico de ligações incessantes. Além disso, o homem tem espalhado fotos da vítima em muros e postes próximos à casa de familiares, com dizeres que visam denegrir sua imagem perante a comunidade.
As ameaças ultrapassam o campo virtual. Segundo a vítima, Bruno declarou que, caso a veja acompanhada de outra pessoa, agredirá o novo companheiro enquanto a obriga a presenciar a violência. O pai dos filhos da mulher também é alvo constante de ameaças, inclusive em seu local de trabalho.
Em um tom intimidatório, o agressor chegou a sugerir que, mesmo que seja preso, possui contatos em áreas como o Ibura e o Jordão para continuar a perseguição. A vítima, que é mãe de dois filhos autistas, vive agora sob constante medo, evitando sair de casa e até mesmo frequentar cultos religiosos, temendo ser abordada ou exposta pelo agressor.
Em busca de socorro, a mulher esteve recentemente na delegacia para registrar mais uma ocorrência por quebra de medida protetiva. Ela enfatiza que não deseja o mal do ex-companheiro, mas clama por sossego e segurança, temendo ser mais um número nas trágicas estatísticas de feminicídio.
Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco informou que as investigações sobre a quebra da medida protetiva já foram iniciadas. Já o Tribunal de Justiça esclareceu que o processo segue em segredo de justiça, não podendo fornecer mais detalhes. Enquanto o impasse jurídico persiste, a vítima continua vivendo sob a sombra de uma ameaça que, dia após dia, compromete sua liberdade e seu direito fundamental de viver em paz.
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