Jornalismo
Motorista que matou trabalhador atropelado foi filmado consumindo vinho hora antes
Vítima de 25 anos fazia hora extra para ajudar a mãe quando foi atingida por carro em alta velocidade; investigação aponta que motorista assumiu o risco de matar
Por Yasmin Santos11 DEZ - 15H14
Jornalismo - Motorista que matou trabalhador atropelado foi filmado consumindo vinho hora antes (Foto: Reprodução)A família de Alex Nunes, 25 anos, segue em luto e cobrando justiça quase dois meses após o jovem ser atropelado e morto enquanto trabalhava na montagem de uma estrutura de lazer e turismo da Prefeitura do Recife, na Avenida Boa Viagem. Alex fazia hora extra para ajudar a pagar uma geladeira recém-comprada para a mãe quando foi atingido por um veículo em alta velocidade. O impacto foi tão forte que o trabalhador foi arremessado, teve uma das pernas amputada e morreu ainda no local.
Imagens de câmeras de segurança mostram o carro avançando sem reduzir a velocidade, mesmo diante da grande estrutura montada na via, com iluminação e decoração natalina — algo visível a longa distância. O veículo atravessou barreiras, atingiu Alex e só parou após colidir com uma segunda estrutura mais adiante.
No primeiro momento, o jovem de 19 anos que dirigia o carro foi indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A família, inconformada, buscou apoio jurídico e criticou a tipificação inicial. Após novas análises, a Polícia Civil passou a considerar que o condutor assumiu o risco de provocar a morte, elevando a gravidade do caso.
Horas antes do acidente, o motorista foi flagrado em uma pizzaria bebendo vinho chileno na companhia de uma adolescente de 17 anos. Registros de consumo e gravações integram o inquérito. De acordo com o documento, após deixar o restaurante, ele levou a menor para casa, permaneceu por algumas horas no local e saiu em seguida — momento em que o acidente ocorreu.
O jovem se recusou a fazer o teste do bafômetro ao ser conduzido à delegacia. Porém, a menor relatou no boletim de ocorrência que o motorista acelerava repetidamente, ignorando seus pedidos para reduzir a velocidade. “Se ele não respeitou nem a vida de quem estava ao lado dele, imagine a do meu irmão”, disse a irmã de Alex, emocionada.
A família relata dias de sofrimento, especialmente a mãe da vítima, que chegou a ver acidentalmente as imagens do atropelamento nas redes sociais. “Minha mãe está devastada. É uma dor que não passa”, contou a irmã, que também destacou o impacto emocional em outros familiares. “Meu irmão era amado por todos. Bondoso, generoso, querido. A vida dele não tinha preço.”
Além da dor, a família enfrenta a angústia de dois pedidos de liberdade apresentados pela defesa do motorista, que devem ser analisados pela Justiça nos próximos dias.
“Não é só sobre o Alex, é sobre todas as famílias que sofrem com a impunidade. Até quando?”, questionou a irmã, pedindo punições mais severas para crimes de trânsito.
O caso segue em investigação pela Polícia Civil de Pernambuco.
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