Jornalismo
Moradores da comunidade de Saramandáia, Zona Norte do Recife, denunciam precarização no saneamento básico da região
A lama, a água parada e o mau cheiro impactam diretamente a vida dos moradores e comerciantes
Por Abel Santos29 JUL - 16H20
Jornalismo - Moradores da comunidade de Saramandáia, Zona Norte do Recife, denunciam precarização no saneamento básico da região (Foto: Reprodução/Redes Sociais)A comunidade de Saramandáia, em Campo Grande, na Zona Norte do Recife, vive um cenário de abandono e descaso por conta das intensas chuvas recentes e da crítica situação do saneamento básico. O que era para ser um campo de futebol e área de lazer, transformou-se em um lamaçal com esgoto a céu aberto, uma realidade que perdura há cerca de dois meses, desde o início do período chuvoso em maio.
A lama, a água parada e o mau cheiro impactam diretamente a vida dos moradores e comerciantes. Alexandra, massoterapeuta, precisou fechar seu negócio e alugar outro espaço, já que as clientes não conseguiam acessá-lo. Ela relata que a água, antes temporária, agora se mantém, atraindo lodo e insetos.
Grivaldo, proprietário de uma pizzaria, está restrito a atender apenas por delivery, pois a presença de mosquitos e o odor fétido afastam os clientes. Ele aponta que o problema vem da obstrução das bocas de lobo, e apesar dos contatos com a Compesa, nenhuma solução efetiva foi dada.
Dona Marlene descreve a dificuldade de levar o filho à escola, tendo que atravessar a lama e lidar com o mau cheiro e a proliferação de muriçocas. Ela menciona que uma vizinha adoeceu devido à água contaminada e critica a falta de ação dos políticos, que fazem promessas não cumpridas em épocas de eleição. Seu Severino, por sua vez, perdeu o emprego devido a problemas de saúde (inchaço e pressão) causados pelas condições insalubres, sentindo-se a comunidade "esquecida pela prefeitura". Ele afirma que o esgoto está sempre entupido e transbordando, mesmo sem chuva.
A situação se agrava com o jogo de empurra-empurra entre a Prefeitura do Recife e a Compesa. A Emlurb, autarquia municipal, atribui a responsabilidade à Compesa pelo extravasamento do esgoto.
A Compesa, por outro lado, nega ser responsável pela drenagem urbana, jogando a responsabilidade para os municípios, e ainda alega não ter sido notificada — contradizendo a existência de três protocolos de alagamento de julho que a própria Compesa recebeu. Enquanto a burocracia emperra, a população de Saramandáia continua sofrendo, clamando por uma solução urgente e pela dignidade que lhes é de direito.
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