Jornalismo
Mendonça retira sigilo de processo sobre pagamentos de Vorcaro
Decisão atende a determinação de Edson Fachin e libera informações de 54 linhas de investigação ligadas à Operação Compliance Zero
Por Redação14 SET. - 14H37
Jornalismo - Mendonça retira sigilo de processo sobre pagamentos de Vorcaro (Foto: © Banco Master/Divulgação)O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo de um processo que trata da rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. A decisão foi tomada após determinação do presidente da Corte, ministro Edson Fachin. Mais cedo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia defendido a retirada do segredo judicial.
A medida ocorreu após um pedido do ministro Alexandre de Moraes, que afirmou ser essencial ter acesso ao conteúdo antes do julgamento marcado para esta terça-feira (15). Com a retirada do sigilo, o STF liberou informações relacionadas a 54 linhas de investigação derivadas da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias atribuídas a Vorcaro.
O julgamento desta terça deve analisar um relatório da Polícia Federal (PF) com 52 mensagens que os investigadores afirmam terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data da prisão preventiva do ex-banqueiro. Entre os conteúdos, Vorcaro aparenta compartilhar com o ministro um contrato de R$ 131 milhões do Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. Em outra mensagem, ele busca informações sobre uma operação da PF que poderia resultar em sua prisão. As respostas do interlocutor não foram recuperadas.
O relatório veio a público no início de setembro, após Mendonça retirar o sigilo do material. A decisão provocou um forte embate entre ministros do STF. A PGR pediu a anulação do documento, alegando que Mendonça não poderia ter autorizado o avanço de investigações envolvendo um ministro da Corte sem comunicar previamente o plenário.
Em reação, Moraes divulgou um documento apresentado como um “relatório de inteligência” da PF, que apontaria um possível direcionamento das investigações do caso Master por Mendonça. O material, porém, não tem assinatura nem timbre da corporação e traz o alerta de que foi elaborado como conjectura e não possui valor probatório. Moraes também pediu a abertura de investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Fachin marcou a análise do pedido para 23 de setembro.
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