Jornalismo
Mendonça acusa Moraes de ilegalidades em investigação no STF
Ministro afirma que colega teria usado relatórios da PF para investigá-lo e aponta abuso de autoridade
Por Redação22 SET. - 15H52
Jornalismo - Mendonça acusa Moraes de ilegalidades em investigação no STF (Foto: © Fellipe Sampaio/STF)O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou o também ministro Alexandre de Moraes de cometer ilegalidades ao requisitar relatórios de inteligência da Polícia Federal (PF) para embasar uma investigação contra ele. A manifestação foi enviada nesta terça-feira (22) ao presidente do STF, Edson Fachin, último dia do prazo para a apresentação da defesa.
Mendonça afirmou que Moraes teria praticado abuso de autoridade e direcionado a investigação ao solicitar, de ofício, documentos de inteligência relacionados à atuação do ministro como relator da Operação Compliance Zero. O caso envolve apurações sobre suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras relacionadas ao antigo Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo Mendonça, os documentos encaminhados pela PF não têm identificação de autoria, data ou assinatura e trazem ressalvas sobre seu valor probatório. Ele também questionou a forma como Moraes teria tomado conhecimento dos relatórios e afirmou que o colega teria inserido seu nome no chamado Inquérito das Fake News sem uma suspeita prévia.
A manifestação ocorre em meio a uma crise entre os dois ministros, que ganhou força após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Operação Compliance Zero. O documento registrava mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes entre 2023 e novembro de 2025 e mencionava, entre outros assuntos, um contrato de cerca de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Moraes, por sua vez, afirmou que a investigação relatada por Mendonça era “inconstitucional e ilegal” e encaminhou os relatórios de inteligência da PF a Fachin. O presidente do STF abriu o processo para que Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, respondessem às acusações.
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