Jornalismo
Lulinha é apontado como beneficiário indireto de lobista pela PF
Lulinha é citado em mensagens encontradas no celular de Roberta como ‘beneficiário indireto’ das negociações, segundo o relatório da Polícia Federal
Por Redação21 AGO. - 11H14
Jornalismo - Lulinha é apontado como beneficiário indireto de lobista pela PF (Foto: Arquivo)Documentos da Polícia Federal (PF) indicam que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, tinha participação ativa em suposto esquema de tráfico de influência, era preservado pela lobista Roberta Luchsinger. Detalhes da apuração da PF foram divulgados pela revista Veja na quinta-feira (20).
Segundo o relatório, Lulinha é citado em mensagens encontradas no celular de Roberta como “beneficiário indireto” das negociações com empresários que tinham interesses em contratos com o Governo Federal. “Fábio não faz nada. Ele só entra em campo quando precisa. Tem que se preservar”, diz mensagem de lobista.
“As comunicações indicam que Fábio é mencionado por Luchsinger como referência decisória nos projetos discutidos. Ele foi indicado como beneficiário indireto das articulações conduzidas por terceiros em seu nome”, afirma o relatório.
Defesa - Porém, não há referência a negócios que Lulinha e Roberta tenham efetivamente fechado negócios com o governo federal. A defesa de Fábio Luís sustenta que ele tem sido investigado há anos e nunca foi encontrado nada que o desabonasse.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho tem reiterado reclamações a respeito do vazamento das informações. A PF aponta que Roberta, Lulinha e Fernando Kalil, sócio do filho do presidente, atuavam de maneira combinada.
Compartilhamento de informações - Os três compartilhavam um grupo de Whatsapp chamado “Musaranhos”, onde trocavam mensagens sobre os negócios que tentavam emplacar junto ao governo federal. Um deles envolve uma tentativa de convencer o Ministério da Saúde a adquirir um produto à base de cannabidiol.
Nas mensagens, Luchsinger conta ainda como atuava junto ao governo. “Eu trabalho a política do Palácio. Eu sou boa de costura política”, disse Roberta ao explicar o caminho que trilhava para driblar os problemas.
No caso do canabidiol, havia a necessidade de convencer o Ministério da Saúde. O então chefe do gabinete de Lula, conhecido como Marcola, entrou na articulação. Ele teria atuado para marcar reunião entre Roberta com o então Secretário Executivo de Saúde, Swedenberger Barbosa, conhecido como Berge.
A investigação da PF faz parte dos inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). O Ministério Público enviou um parecer ao ministro André Mendonça, relator de dois dos três inquéritos envolvendo Lulinha, solicitando que o caso seja remetido a outra instância judicial. O MPF afirma que não há autoridade sob investigação para manter o inquérito no Supremo.
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