Jornalismo
Gilmar Mendes critica condução do caso Master por Fux na 2ª Turma
Decano do STF alegou uma ‘condução indevida dos trabalhos’ pelo presidente da Segunda Turma, ministro Luiz Fux
Por Redação17 SET. - 10H52
Jornalismo - Gilmar Mendes critica condução do caso Master por Fux na 2ª Turma (Foto: Rosinei Coutinho/STF )O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), formalizou em ofício, nesta quinta-feira (17), questionamentos sobre a condução, na Segunda Turma da Corte, da decisão sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
Gilmar Mendes alegou uma “condução indevida dos trabalhos” pelo presidente da Segunda Turma, ministro Luiz Fux, devido ao tempo exíguo, de 22 minutos, entre a comunicação ao gabinete da convocação e o início de uma sessão do colegiado para referendar a decisão de Mendonça.
“Não é razoável esperar que, nesse intervalo, um julgador examine os autos, compreenda a extensão da medida e forme convicção segura sobre a sua legitimidade”, declarou o decano no ofício enviado a Fux.
Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, foi afastado do cargo em 8 de setembro pelo ministro André Mendonça, em decisão monocrática no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura a corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master.
O delegado acabaria restituído ao cargo no dia seguinte, por decisão do também ministro Flávio Dino. Porém, no mesmo dia do afastamento, a decisão de Mendonça foi levada a referendo na Segunda Turma, da qual ele faz parte junto com Fux, Kássio Nunes Marques e Dias Toffoli, além do próprio Gilmar Mendes.
Pedido de vista - O gabinete do ministro Gilmar Mendes recebeu apenas às 9h38 o comunicado oficial sobre a realização de sessão extraordinária da Segunda Turma às 10h, de acordo com o ofício. O decano pediu vista (mais tempo de análise) assim que o julgamento foi aberto.
“Na realidade, pela própria dinâmica dos acontecimentos, surge evidente que, no momento em que o feito foi incluído em pauta, já existia prévio ajuste – não comunicado a parcela dos demais colegas integrantes do colegiado – entre Vossa Excelência, Ministro Luiz Fux, e o Ministro André Mendonça”, acusou Gilmar Mendes.
Fux e Marques anteciparam seus votos, às 10h04, no sentido de manter a decisão de afastar Andrei Rodrigues da chefia da PF, mesmo com a vista pedida pelo decano.
O ministro complementou ainda que “a designação de sessão por entendimento reservado entre a Presidência e o Relator, à margem dos demais membros, desconsidera a lógica constitucional e regimental, convertendo a Presidência em instrumento de aceleração de uma tese, quando deveria ser garantia de igualdade entre todos os julgadores”.
O ofício enviado por Gilmar Mendes, contudo, não tem efeito prático, sendo apenas uma formalização dos questionamentos sobre a isenção de Fux na condução dos trabalhos na Segunda Turma. O decano solicitou que todos os ministros do colegiado sejam tratados de forma equânime, "sem inclinação por qualquer deles".
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