Jornalismo
Força da terceira idade: idoso trabalha há 50 anos no mesmo emprego
Em todo país, pessoas com mais de 60 anos, algumas já aposentadas, continuam atuando no mercado de trabalho
Por Wagner Oliveira30 AGO - 15H50
Jornalismo - Força da terceira idade: idoso trabalha há 50 anos no mesmo emprego (Foto: Wagner Oliveira)Antes das seis da manhã, Manoel José da Silva, 68 anos, já está em seu local de trabalho. Não perde um dia de serviço e tem disposição de sobra para trabalhar de domingo a sexta-feira. Está no mesmo emprego há 50 anos. Morador do Curado 2, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, o senhor de estatura baixa, andar ligeiro e criado em Caruaru, no Agreste pernambucano, faz parte do grupo de idosos que ainda trabalham.
No Brasil, um levantamento feito pelo Ministério do Trabalho e Emprego a partir dos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2022 aponta que pouco mais de três milhões de pessoas com mais de 60 anos são trabalhadores formais no país. Os avanços da medicina e o aumento da expectativa de vida dos brasileiros fizeram a população idosa mais presente nas vagas de trabalho.
Embora os sexagenários sejam maioria no mercado de trabalho, os brasileiros com mais de 70 anos ou mais de 80 anos que também trabalham são mais de 330 mil. No entanto, a maior parte desses trabalhadores são contratados, geralmente, para funções com baixas remunerações. Médicos e professores também costumam trabalhar nessa faixa etária, mas são minoria.
Atualmente, a população que já viveu mais de seis décadas ultrapassa os 32 milhões no país. O número é do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2022. Desse total, as mulheres são maioria. Elas chegam a 17 milhões e pouco mais de oitocentos mil, os homens somam 14 milhões e duzentos mil.
Em cinco décadas de trabalho no Restaurante Leite, seu Manoel passou por diferentes chefes, todos membros da mesma família, e viu dezenas de funcionários chegarem e irem embora dos salões do tradicional restaurante. Fundado em 1882, o Leite é o mais antigo do ramo em funcionamento no Brasil. Ele fica na Praça Joaquim Nabuco, no coração do Centro do Recife, e é bastante frequentado diariamente.
Lá, é a segunda casa de Manoel. “Cheguei aqui com 18 anos, foi o meu primeiro emprego e estou até hoje. Comecei como serviços gerais e hoje trabalho como garde manger (termo francês usado para quem trabalha na cozinha, pode ser traduzido como guarda comida). Eu gosto muito do que faço”, ressaltou Manoel.



Funcionário mais antigo do Restaurante Leite
No início da vida profissional, aos 18 anos, o funcionário mais antigo do restaurante trabalhava lavando panelas e o chão do estabelecimento. Conseguiu o emprego após indicação de um primo que já havia trabalhado no local. Com garra e determinação, conquistou a confiança dos proprietários do Leite e foi promovido para a cozinha.
“Gosto de chegar bem cedinho para abrir o restaurante. Não tenho do que reclamar do meu trabalho aqui. Eu gosto de todo mundo e todo mundo gosta de mim. O trabalho é quase nossa casa. Às vezes, passamos mais tempo com os colegas de trabalho do que com nossas famílias”, ponderou.
Nesses anos todos de trabalho, Manoel já viu e preparou comida para muita gente famosa. Aberto ao público apenas para almoço, o Leite costuma receber empresários, atores, cantores, turistas e políticos. “Já vieram aqui os ex-governadores de Pernambuco Miguel Arraes, Eduardo Campos, Jarbas Vasconcelos, Roberto Magalhães e Marco Maciel. Também almoçaram aqui no Leite as cantoras Perla e Fafá de Belém e a atriz Cláudia Raia e o ator Edson Celulari”, recorda Manoel. O escritor Jorge Amado também era cliente assíduo do Leite. Aos sábados, o restaurante não abre e seu Manoel e os demais funcionários têm o dia de folga.
Orgulhoso da sua trajetória no Leite, seu Manoel diz que foi trabalhando lá que conquistou tudo que tem. “Vim de Caruaru para morar na casa do meu tio, com o meu trabalho fui organizando a vida. Casei, comprei casa, tive dois filhos maravilhosos, tenho um carro e tudo isso foi graças ao meu trabalho no Leite. Quando eu sair daqui, não quero mais trabalhar em outro lugar. Já estou aposentado há 15 anos. Não sou mais aquele jovem mas tenho muita disposição”, garantiu Manoel. Garçom e Sommelier do Leite, Adriano Mota fala do colega de trabalho com carinho. “Seu Manoel é querido por todos funcionários e tem uma história muito bonita aqui no Leite”.
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