Jornalismo
Flávio Dino bloqueia R$ 119 milhões de Valdemar C. Neto por esquema de emendas
Presidente do PL é investigado por operar estrutura paralela na Câmara para desviar verbas; 21 emendas foram adulteradas
Por Redação com informações do R710 JUL. - 13H03
Jornalismo - Flávio Dino bloqueia R$ 119 milhões de Valdemar C. Neto por esquema de emendas (Foto: Beto Barata/PL )O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. A decisão é baseada em investigações da Polícia Federal que apontam um suposto esquema de desvio de verbas públicas que teria movimentado R$ 119.216.703,15 entre junho de 2024 e março de 2026.
Segundo a PF, mesmo sem exercer mandato eletivo, Valdemar teria operado uma estrutura informal dentro da Câmara dos Deputados para direcionar emendas parlamentares conforme seus interesses políticos e privados. A investigação é um desdobramento da "Operação Transparência", que apura irregularidades na distribuição de emendas de comissão e do antigo "Orçamento Secreto".
Como funcionava o esquema - De acordo com os relatórios da PF citados por Dino, o grupo utilizava planilhas informais nas quais os recursos, majoritariamente emendas de comissão, eram identificados com as iniciais "VCN" ou listados como "do Valdemar". Para dar aparência de legalidade, os operadores inseriam falsamente os nomes de deputados federais no exercício do mandato como se fossem os verdadeiros solicitantes das verbas.
A PF identificou pelo menos 21 emendas parlamentares cujos documentos foram adulterados. A maior parte dos recursos foi destinada a municípios de São Paulo, principal reduto eleitoral do PL.
Os operadores - A quebra de sigilo telemático expôs a divisão de tarefas entre três servidores centrais:
• Mariangela Fialek ("Tuca"): apontada como a personagem principal, responsável pela organização, controle de cotas e manipulação das planilhas.
• Nara Benedetti Nicolau Brum: servidora da liderança do PL, atuava como ponte técnica e intermediadora, reforçando que Valdemar "não aceitava mudanças" nos destinos das verbas.
• Garigham Amarante Pinto: advogado e ocupante de cargo na liderança do partido, classificado como "emissário" direto de Valdemar, negociava os montantes globais e funções orçamentárias.
Uma quarta servidora, Priscilla Fernandes da Silva, vinculada ao Gabinete da Presidência da Câmara, também é citada, mas seu papel era mais geral, sem ligação direta com os interesses de Valdemar.
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