Jornalismo
Fiocruz realizará estudo com novo medicamento de prevenção ao HIV em sete cidades brasileiras
Pesquisa com o lenacapavir busca embasar possível incorporação da PrEP injetável ao SUS
Por Rebecca Lilith20 JAN - 10H00
Jornalismo - Fiocruz realizará estudo com novo medicamento de prevenção ao HIV em sete cidades brasileiras (Foto: Ihsaan Haffejee)A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) irá conduzir um estudo com o lenacapavir, novo medicamento de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), em sete cidades brasileiras: Campinas, Florianópolis, Manaus, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. A pesquisa tem como objetivo gerar evidências científicas que subsidiem a avaliação para a possível incorporação do medicamento ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Batizado de ImPrEP LEN Brasil, o estudo será voltado para homens gays e bissexuais, pessoas não binárias designadas biologicamente do sexo masculino e pessoas transgênero, com idades entre 16 e 30 anos. A proposta é avaliar a eficácia, segurança e adesão ao uso do lenacapavir como estratégia de prevenção ao HIV.
O medicamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no último dia 12 de janeiro e é disponibilizado nas versões injetável e em comprimidos sendo a forma injetável a utilizada no estudo. O lenacapavir atua em diferentes etapas do ciclo replicativo do HIV, o que explica seu alto potencial preventivo.
As doses que serão usadas na pesquisa foram fornecidas pela farmacêutica Gilead Sciences, responsável pelo desenvolvimento do medicamento. O início da aplicação, no entanto, depende da chegada ao Brasil de agulhas específicas necessárias para a administração do fármaco.
Comercializado sob o nome Sunlenca, o lenacapavir pertence a uma classe considerada inovadora de antirretrovirais. Ele é indicado para pessoas a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, e exige teste negativo para HIV antes do início do uso.
Apesar do avanço representado pelo medicamento, o alto custo pode ser um entrave para a ampla distribuição. Estudo publicado na revista The Lancet aponta que o custo real de produção poderia variar entre US$ 25 e US$ 46 por pessoa ao ano, enquanto o preço anual do tratamento nos Estados Unidos pode ultrapassar US$ 28 mil por paciente, o equivalente a cerca de R$ 150.640.
Segundo a Anvisa, o lenacapavir ainda passará pela definição de preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A eventual oferta pelo SUS dependerá de avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e de aprovação final do Ministério da Saúde.
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