Jornalismo
Feira em Fortaleza debate políticas sobre drogas e impactos sociais da proibição
Palestrantes da Febre de Arte defenderam maior conhecimento sobre o tema e discutiram cannabis medicinal, encarceramento e violência
Por Redação21 SET. - 14H12
Jornalismo - Feira em Fortaleza debate políticas sobre drogas e impactos sociais da proibição (Foto: © Fábio Carvalho/Arquivo pessoal)A segunda edição da Febre de Arte, em Fortaleza, reuniu especialistas e representantes de organizações para discutir políticas sobre drogas e os impactos sociais da atual legislação brasileira. Durante os debates, os participantes defenderam que o eleitor avalie candidatos que apresentem propostas claras sobre o tema e discutiram alternativas que considerem saúde pública, justiça social e segurança.
Entre os palestrantes estava a médica de família e comunidade Magda Almeida, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC). Ela criticou o que considera uma abordagem ideológica sobre a cannabis e destacou a importância de analisar os efeitos das substâncias de acordo com cada pessoa. “Cannabis não serve para tudo. Nenhum remédio serve para tudo”, afirmou.
A médica também falou sobre o uso medicinal da cannabis e citou pacientes que recorrem a medicamentos como a pregabalina para tratar problemas que, segundo ela, também podem ser amenizados com a cannabis. Dados da Blis Data apontam que mulheres de 45 a 64 anos estão entre as principais consumidoras de cannabis medicinal importada no Brasil, principalmente em busca de alívio para problemas como dor crônica e distúrbios do sono.
Os impactos sociais da política de drogas também estiveram no centro dos debates. Os convidados relacionaram a atuação policial, o encarceramento da população negra e a expansão de facções e milícias. O advogado Italo Coelho comparou a perseguição histórica a manifestações culturais, como a capoeira e o samba, às restrições impostas à cannabis. Já Tamára Silva, da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas, criticou o foco na repressão e defendeu mudanças na política de segurança pública.
Outro ponto discutido foi o impacto financeiro do encarceramento para as famílias e para o poder público. Segundo levantamento da Pastoral Carcerária Nacional, famílias de pessoas presas podem gastar, em média, cerca de 70% de um salário mínimo com itens básicos durante visitas semanais. Estudo do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania apontou ainda que seis estados gastaram R$ 7,7 bilhões, em 2023, na implementação da Lei de Drogas.
A Febre de Arte foi organizada pela Agência Liamba 360° e pela Adapta Associação Canábica. Nesta edição, a Auê Feira também participou da programação, que contou com espetáculos e a Rua das Associações, espaço voltado a organizações nordestinas que atendem pacientes que fazem uso medicinal da cannabis.
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