Jornalismo
Estudo mostra que gravidez reduz oportunidades e autonomia de meninas
Entrevistadas relataram interrupção nos estudos, perda de trabalhos e julgamento nos serviços de saúde
Por Redação05 AGO. - 11H53
Jornalismo - Estudo mostra que gravidez reduz oportunidades e autonomia de meninas (Foto: Divulgação/Fiocruz)Uma pesquisa realizada pela ONG Plan Brasil revelou que a gravidez na infância ou na adolescência interrompeu os estudos de uma a cada seis das 1,5 mil meninas entrevistadas, o equivalente a 61%.
O estudo foi feito com meninas de idades entre 19 e 29 anos, de todas as regiões do Brasil, e comparou dois grupos: as que engravidaram na infância e na adolescência e as que não passaram por essa experiência.
A CEO da organização responsável pela pesquisa, Cynthia Betti, defende que a gravidez na infância ou na adolescência é um ponto de inflexão que acentua desigualdades que já existiam antes mesmo da gestação.
Emprego - 83% das entrevistadas disseram já ter deixado um trabalho ou perdido oportunidades de emprego por precisar cuidar dos filhos. Os dados mostram, ainda, que, mesmo partindo de contextos parecidos, as jovens que engravidaram na adolescência acumulam desvantagens maiores ao longo da vida.
73% das jovens ouvidas já haviam sido discriminadas por causa da gravidez, seja na família, na escola ou em serviços de saúde, com descrições de julgamentos sobre a capacidade intelectual, moral e profissional.
A pesquisa revelou, também, que 59% das jovens que engravidaram antes dos 19 anos passaram a viver em casamento ou união logo após a primeira gestação.
Interrupção legal - Entre as meninas que engravidaram antes dos 14 anos, 50% não tiveram a possibilidade de interromper a gravidez de forma legal nos serviços de saúde. A legislação brasileira considera que toda gravidez em menores de 14 anos é resultado de estupro de vulnerável.
O que fazer - A pesquisa também traz uma série de recomendações de políticas públicas e outras ações para reverter esse cenário, como a garantia da educação sexual e o acesso descomplicado a métodos contraceptivos. Além da universalização de creches com horários compatíveis com a rotina de estudos e trabalho.
Outras medidas como o combate à violência obstétrica, coerção contraceptiva e a criação de políticas de emprego voltadas especificamente para mães jovens também foram citadas no estudo. Acesse a pesquisa completa aqui.
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