Jornalismo
Estudante cearense de 17 anos representa o Brasil em Olimpíada Internacional de Astronomia
Biatriz Silva, moradora da periferia de Fortaleza, será a única menina da equipe brasileira na competição que reúne estudantes de 67 países
Por Redação22 SET. - 19H40
Jornalismo - Estudante cearense de 17 anos representa o Brasil em Olimpíada Internacional de Astronomia (Foto: © Tiberius Drumond/Divulgação)Aos 17 anos, a cearense Biatriz Silva está prestes a transformar a paixão pelas estrelas em uma experiência internacional. Nesta quarta-feira (23), a estudante embarca para Hanói, no Vietnã, onde vai representar o Brasil na 19ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA). Ela será a única menina entre os cinco estudantes brasileiros selecionados para a competição, considerada uma das principais do mundo na área.
Moradora do bairro do Pici, na periferia de Fortaleza, Biatriz está no terceiro ano do ensino médio e começou a alimentar o interesse pelo universo ainda em casa, ao lado dos pais, Carlos, vendedor de móveis, e Leidiana, dona de casa. A estudante conta que foi com eles que aprendeu a observar o céu e passou a enxergar nos estudos uma oportunidade para ampliar seus horizontes. Em 2023, ainda aluna de escola pública, conquistou a medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA).
No Vietnã, Biatriz vai enfrentar quatro provas, que envolvem conhecimentos teóricos, análise de dados, observação com telescópio e atividades em planetário. Para se preparar, ela mantém uma rotina de estudos disciplinada e chegou a criar um caderno exclusivo para registrar informações sobre as estrelas. “Eu tenho um caderno exclusivo onde estão anotadas mais de 380 estrelas e eu decoro também as posições”, conta.
A medalha de ouro conquistada na OBA também abriu novas oportunidades para a estudante. O resultado garantiu uma bolsa de estudos em uma escola com preparação voltada para o ingresso no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). No futuro, Biatriz pretende cursar engenharia e considera seguir pela área aeroespacial. Apesar da dedicação aos estudos, ela diz que mantém uma rotina comum para a idade, com espaço para os amigos e para atividades como o desenho.
Entre tantas estrelas que já conhece, uma das preferidas é Alchiba, da constelação do Corvo, localizada a cerca de 49 anos-luz da Terra. A escolha tem uma explicação ligada à posição da constelação no céu. “É porque o Corvo fica numa localização muito boa. É a estrela alfa e era a mais brilhante”, explica. A estudante foi selecionada depois de disputar a vaga com cerca de 300 jovens de todo o país. “Foi árduo, mas é muito gratificante”.
Equipe brasileira
Além de Biatriz, outros quatro estudantes integram a equipe que vai representar o Brasil na competição. Três deles também são de Fortaleza: Jailson Henrique Godeiro Neto, de 17 anos; Arthur Alencar Spuri, de 16; e Isaac Victor de Araújo Santos, de 16. O grupo é completado por Eyke Cardoso de Souza Torres, de 17 anos, de Ourilândia do Norte, no Pará.
A participação na olimpíada também será uma oportunidade para os estudantes conhecerem jovens de diferentes países e trocarem experiências sobre astronomia. “É uma experiência que eu vou levar para minha vida toda. É muito gratificante ter essa oportunidade, principalmente pelos desafios que envolveram chegar até aqui”, afirmou Eyke.
A 19ª edição da Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica reúne 67 equipes de diferentes regiões do mundo. A competição começa na sexta-feira (25), e os brasileiros permanecem no Vietnã até 6 de outubro.
Seleção
A equipe brasileira foi formada a partir de um processo seletivo organizado pela Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica. Para concorrer às vagas internacionais, estudantes do ensino médio precisam alcançar nota mínima 7 na prova da OBA do ano anterior. Para alunos do 9º ano do ensino fundamental, a exigência é de nota mínima 9.
Os estudantes classificados ainda passam por três provas on-line em níveis avançados. Depois dessa etapa, 45 jovens são selecionados para treinamentos intensivos e avaliações presenciais. Ao fim do processo, são definidos os cinco estudantes que representam o Brasil nas competições internacionais.
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