Jornalismo
Empreendedorismo Feminino: renda e sustento do lar através da costura
Conheça a história de Ana e Elaine, moradoras da Zona Norte do Recife
Por Jackson Rafi13 NOV - 16H51
Jornalismo - Empreendedorismo Feminino: renda e sustento do lar através da costura (Foto: Jackson Rafi)É no movimento rápido da agulha sobre o tecido que muitas mulheres encontraram na costura uma forma de empreender, conquistar autonomia financeira e garantir o sustento da família por meio de pequenos negócios construídos dentro de casa.
É o caso de Ana Cristina, de 50 anos, moradora do bairro de Fundão, na Zona Norte do Recife. Há mais de três décadas trabalhando com conserto de roupas, ela transformou a costura na principal fonte de renda da família e hoje administra sozinha o próprio negócio.
“É daqui que tiro meu sustento. Pago aluguel, mantenho as contas da casa em dia e também ajudo minha família”, afirma.

Embora tenha concluído um curso profissionalizante de secretariado, Ana nunca exerceu a profissão. Aos 18 anos, iniciou sua trajetória em uma fábrica de confecções e, ao longo dos anos, passou por diferentes funções até decidir empreender.
“Meu primeiro trabalho foi como revisora, cortando linhas das peças. Passei por várias empresas ao longo dos anos, até trabalhar em uma loja especializada em conserto de roupas. Depois decidi abrir meu próprio negócio”, lembra.
A história de Elaine Aparecida Lopes segue um caminho semelhante. Natural do Paraná, ela não planejava trabalhar com costura, mas encontrou na atividade uma oportunidade para empreender quando se mudou para o Recife.
“Foi algo que aconteceu naturalmente. Eu tinha uma máquina de costura desde criança e ela veio comigo quando me mudei para Recife. Como estava em casa, sem emprego e cuidando dos filhos, comecei a costurar”, conta.

No ano de 2025, a indústria da moda e confecção, onde a grande maioria da força de trabalho é feminina, gerou cerca de 32 mil empregos em Pernambuco, segundo dados do Sebrae. Entretanto, os números formais não refletem a atuação de milhares de profissionais autônomas que movimentam a economia local por meio de pequenos negócios.
Apesar do crescimento do empreendedorismo feminino no Brasil nos últimos 10 anos, dados do Sebrae com base na PNAD Contínua mostram que cerca de seis em cada dez empreendedoras ainda atuam na informalidade, realidade que afeta principalmente mulheres de baixa renda.
“Trabalhar sozinha exige muito mais. Se eu adoecer, não tenho quem me substitua. Preciso cuidar da produção, comprar material, atender os clientes e ainda dar conta das tarefas de casa”, explica Ana.
O cenário enfrentado por Ana e Elaine reflete uma realidade comum entre milhares de costureiras brasileiras. Uma pesquisa da coalizão de parceiros Moda Justa e Sustentável, da Aliança Empreendedora, aponta que profissionais do segmento de reparo e ajustes de roupas frequentemente enfrentam desafios relacionados à gestão dos negócios, baixa remuneração, acesso limitado à capacitação e dificuldades para ampliar a carteira de clientes.
Apesar dos obstáculos, essas trabalhadoras desempenham um papel importante na geração de renda para suas famílias e no fortalecimento da economia local por meio de pequenos negócios construídos, muitas vezes, dentro de casa.
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