Jornalismo
El Niño pode pressionar preços de alimentos e energia em todo o Brasil
Fenômeno climático tem 100% de probabilidade de permanecer ativo até 2027, segundo Inmet
Por Redação com informações do R711 AGO. - 08H53
Jornalismo - El Niño pode pressionar preços de alimentos e energia em todo o Brasil (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil )O El Niño, oficialmente configurado em junho de 2026, deve permanecer ativo até o início de 2027 e pode impactar o bolso do consumidor brasileiro. Especialistas ouvidos pelo R7 alertam para possíveis altas nos preços de alimentos, energia e combustíveis, com efeitos mais severos sobre as famílias de menor renda.
A previsão climática para o trimestre de agosto a outubro indica temperaturas acima da média histórica em todo o país. A região Sul deve registrar chuvas acima do esperado, enquanto o Centro-Norte terá precipitações abaixo da média, o que pode afetar a produção agrícola em diferentes regiões.
A economista e professora da PUC-SP, Cristina Helena Pinto, explica que eventos climáticos atingem simultaneamente produção, armazenamento, transporte e comercialização dos alimentos. Frutas e hortaliças tendem a encarecer rapidamente. Alimentos básicos como feijão e arroz também preocupam devido à concentração regional do plantio.
Custo de produção - As proteínas animais devem sofrer com o aumento dos custos de produção. O estresse térmico reduz a produtividade do gado, enquanto o encarecimento do milho e da soja, base da ração animal, pressiona o preço final das carnes. Culturas perenes como café e açúcar sentem o impacto a médio e longo prazo.
O economista e professor do Ibmec Brasília, Renan Silva, destaca que o fenômeno pode pressionar as tarifas de energia e os preços dos combustíveis. Ele calcula que uma quebra de 5% a 10% no agronegócio pode retirar de 0,3 a 0,8 ponto percentual do crescimento do PIB. A pressão inflacionária também pode forçar o Banco Central a manter a Selic em patamares elevados por mais tempo.
Os modelos climáticos indicam alta probabilidade de que o El Niño alcance intensidade muito forte, com anomalias de temperatura da superfície do mar superiores a 2°C entre a primavera e o verão. O fenômeno natural, que já causou tragédias como as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, tem se potencializado nas últimas décadas devido às mudanças climáticas.
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