Jornalismo
"É um trauma para a vida toda", dizem sobreviventes de ataques de tubarão no litoral pernambucano
Vítimas que perderam membros ou ficaram com sequelas relembram os acidentes e defendem mais apoio aos atingidos
Por Yasmin Santos02 JUN - 15H20
Jornalismo - "É um trauma para a vida toda", dizem sobreviventes de ataques de tubarão no litoral pernambucano (Foto: Reprodução)Os recentes ataques de tubarão registrados no litoral pernambucano reacenderam lembranças traumáticas para vítimas que sobreviveram a acidentes semelhantes nas praias da Região Metropolitana do Recife. Em entrevista ao Balanço Geral, dois sobreviventes compartilharam relatos marcantes sobre os momentos em que foram atacados e falaram sobre os desafios enfrentados durante a recuperação.
Um dos entrevistados, Charles, atacado em 1999 na praia de Boa Viagem, contou que surfava próximo ao Edifício Acaiaca quando foi surpreendido por um tubarão-cabeça-chata de aproximadamente três metros de comprimento.
Segundo ele, o animal o arrastou para o fundo do mar e iniciou uma luta pela sobrevivência. Durante o ataque, sofreu ferimentos graves na perna e perdeu as duas mãos ao tentar se defender. Mesmo gravemente ferido, conseguiu nadar até receber ajuda dos banhistas e equipes de socorro.
O sobrevivente afirma que, após o acidente, alertou autoridades sobre o risco de novos ataques na região. Para ele, as medidas adotadas ao longo dos anos não foram suficientes para evitar que outras pessoas fossem vítimas.
Outro entrevistado relembrou o ataque sofrido em 1993, na praia de Piedade. Na época, ele praticava bodyboard quando foi puxado por um tubarão. Diferentemente do primeiro caso, conseguiu se manter preso à prancha, o que ajudou a retornar à superfície e alcançar a faixa de areia.
Com ferimentos na perna e grande perda de sangue, ele foi socorrido por barraqueiros que realizaram os primeiros atendimentos ainda na praia. O sobrevivente destacou a importância da rapidez no socorro, fator que considera decisivo para salvar vidas em situações semelhantes.
Além das marcas físicas, ambos destacaram os impactos psicológicos deixados pelos ataques. Segundo eles, o trauma permanece por toda a vida, exigindo um longo processo de adaptação e reabilitação.
Os dois também integram uma associação criada para oferecer suporte a vítimas de ataques de tubarão. A entidade auxilia na busca por próteses, orientações médicas e acompanhamento durante a recuperação.
Diante dos casos recentes registrados no estado, os sobreviventes defenderam maior assistência às vítimas e às famílias afetadas, além de medidas permanentes de prevenção e conscientização sobre os riscos em áreas consideradas de perigo.
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