Jornalismo
Dois anos após o assassinato de Maria Clara, família clama por justiça
Mãe da vítima relata a angústia pela demora no julgamento de policial militar acusado de feminicídio.
Por Abel Santos22 JUN - 15H14
Jornalismo - Dois anos após o assassinato de Maria Clara, família clama por justiça (Foto: Reprodução/Redes Sociais)O sentimento de perplexidade e a busca por justiça marcam a vida de Simone Kelly, mãe da estudante de enfermagem Maria Clara Adolfo Souza, de 21 anos. Prestes a completar dois anos do crime que chocou a região metropolitana do Recife, a família vive a agonia da espera pela definição do júri popular.
O crime
No dia 24 de julho de 2024, Maria Clara foi morta a tiros no bairro de Socorro, em Jaboatão dos Guararapes. Segundo as investigações, o acusado de ser o autor dos disparos é João Gabriel Tenório Pereira, soldado da Polícia Militar de Pernambuco, com quem a vítima mantinha um relacionamento há quatro anos.
De acordo com o apurado pela polícia, um segundo homem, identificado como Eduardo Oliveira, foi preso por ter pilotado a motocicleta utilizada na ação criminosa. Ambos os acusados aguardam julgamento.
A motivação e o histórico de violência
A investigação revelou que Maria Clara estava grávida de três meses do policial, uma gestação que, segundo relatos, o acusado não aceitava. Em entrevista emocionante, Simone Kelly revelou que o crime foi precedido por uma escalada de violência.
Cerca de um mês antes do assassinato, João Gabriel tentou envenenar Maria Clara utilizando "chumbinho" em um açaí. A vítima, percebendo um gosto amargo, não consumiu o alimento e chegou a esconder o episódio da mãe por medo de represálias. O caso foi confirmado posteriormente pela perícia após a família entregar o material a um delegado do DHPP.
No dia do crime, a vítima teria sido atraída para fora de casa por uma falsa promessa de envio de dinheiro, articulada pelo acusado. A mãe, que estava no imóvel, ainda relata a dor de ter acordado com o som dos disparos que tiraram a vida de sua filha na porta de sua própria residência.
O clamor por Justiça
A demora do Poder Judiciário em agendar o júri popular é a principal queixa da família. Simone Kelly denuncia que, após um ano da última audiência de instrução, o processo permanece estagnado.
Além da dor da perda, a família enfrenta graves dificuldades financeiras e o trauma emocional, que os obrigou a se mudar diversas vezes por medo de novas ameaças, que teriam sido feitas logo após o crime.
"Já foi coletado tudo que pediram e a gente tá aqui cobrando justiça. Um policial que não perdeu a farda ainda, ainda tá recebendo [salário], enquanto a gente, além de passar pela perda, ainda passa por muita dificuldade", desabafou a mãe.
A família segue acompanhando o caso, na esperança de que a justiça seja feita e que o acusado responda pelo crime de feminicídio, pondo fim a um capítulo de impunidade e sofrimento.
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