Jornalismo
Dino pede vista e suspende julgamento sobre casos de Moraes e Mendonça
Ministro interrompe análise que tinha placar de 4 votos a 3 sobre julgamento conjunto dos dois casos no STF
Por Redação15 SET. - 18H51
Jornalismo - Dino pede vista e suspende julgamento sobre casos de Moraes e Mendonça (Foto: © Rosinei Coutinho/STF)O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista nesta terça-feira (15) e suspendeu o julgamento que discute se os casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça devem ser analisados simultaneamente pelo plenário da Corte. A decisão ocorreu após um bate-boca entre Mendonça e Gilmar Mendes durante a sessão, que tratava da condução do caso Master. Com o pedido de vista, ainda não há data definida para a retomada da análise.
Até a suspensão, o placar parcial estava em 4 votos a 3. Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes votaram pelo julgamento conjunto. Dino também se manifestou favoravelmente à análise simultânea, mas pediu que seu posicionamento não fosse contabilizado no placar provisório por ter solicitado vista. Edson Fachin, Luiz Fux, Cármen Lúcia e André Mendonça defenderam que os casos sejam julgados separadamente.
A discussão ocorre após a divulgação de um relatório da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que apresenta mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, e que mencionam Moraes. O documento veio a público em 1º de setembro, depois que Mendonça levantou o sigilo. Desde então, o caso provocou uma série de pedidos de investigação e troca de documentos entre os ministros.
O relatório reúne 52 mensagens que, segundo os investigadores, teriam sido enviadas por Vorcaro a Moraes entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data da prisão preventiva do ex-banqueiro. Em uma das conversas, Vorcaro aparenta mencionar um contrato de R$ 131 milhões do Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, o ex-banqueiro parece buscar informações sobre uma possível operação para prendê-lo.
Moraes negou qualquer irregularidade e classificou a investigação conduzida por Mendonça como inconstitucional e ilegal. A Procuradoria-Geral da República (PGR), por sua vez, pediu a Fachin a anulação do relatório parcial, argumentando que Mendonça teria permitido o avanço de uma investigação envolvendo um ministro do Supremo sem comunicar previamente o presidente da Corte ou o plenário.
Em reação ao relatório, Moraes também encaminhou a Fachin um documento atribuído à inteligência da PF que levantava a possibilidade de Mendonça ter direcionado as investigações da Operação Compliance Zero para atingir desafetos políticos. O material, no entanto, não possui assinatura nem timbre da corporação e traz o alerta de que foi produzido como conjectura e “sem valor probatório”. Moraes pediu a abertura de investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O pedido será analisado pelo STF em 23 de setembro.
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