Jornalismo
De palco histórico a cenário de ruínas: o abandono do Teatro Valdemar de Oliveira
É muito triste ver como o lugar onde cresci profissionalmente chegou a esse ponto", diz Welton, ator pernambucano
Por Abel Santos23 JUN - 15H49
Jornalismo - De palco histórico a cenário de ruínas: o abandono do Teatro Valdemar de Oliveira (Foto: Reprodução/Redes Sociais)O que já foi um dos pilares da cultura pernambucana hoje é sinônimo de lamento e preocupação. Localizado no bairro da Boa Vista, área central do Recife, o Teatro Valdemar de Oliveira encontra-se em estado de degradação extrema, transformando-se de um centro de formação artística em um complexo em ruínas.
O cenário atual é desolador: onde antes existia o palco, hoje há um buraco repleto de água. O teto desabou, os banheiros foram destruídos e o interior do prédio tornou-se um depósito de lixo e roupas velhas, servindo, inclusive, de moradia para dezenas de pessoas em situação de vulnerabilidade.
A importância do teatro transcende a estrutura física. Inaugurado em 1971 e rebatizado em homenagem ao fundador do Teatro de Amadores de Pernambuco, Valdemar de Oliveira, o espaço foi o berço artístico de gerações.
Para o ator Welton, que iniciou sua formação profissional no local entre 2016 e 2017, ver o espaço nesse estado causa um "sentimento de vazio". "A gente vinha ensaiar, passava madrugadas repetindo cenas. É muito triste ver como o lugar onde cresci profissionalmente chegou a esse ponto", relata.
O processo de abandono dura mais de seis anos, mas a situação tornou-se crítica em 2024, após um incêndio que comprometeu severamente a estrutura física do imóvel.
Vistorias realizadas pela Defesa Civil do Recife logo após o incidente confirmaram o cenário de perigo iminente. O relatório técnico classificou o prédio como de alto risco.
A possibilidade de salvação do imóvel reside agora no processo de tombamento, aberto em 2022 junto à Fundarpe. Embora os trâmites administrativos, como a notificação dos proprietários e o edital, já tenham sido cumpridos, ainda não há um prazo definido para a conclusão.
O tombamento é visto como a via principal não apenas para obrigar a restauração, mas para viabilizar a captação de recursos públicos. A Fundarpe ressalta que existem editais, como o Funcultura e o Funcultura Patrimônio, que podem auxiliar na recuperação, independentemente do status do tombamento.
"Ainda temos estudos a realizar e precisamos de uma articulação com os proprietários para viabilizar a retomada do uso do espaço. É um desafio conjunto entre a gestão pública e os responsáveis pelo imóvel", pontua a representação da Fundação.
Enquanto a burocracia segue seu curso, a sociedade civil e os artistas pernambucanos aguardam por uma solução urgente que devolva ao Valdemar de Oliveira o seu propósito original: o de ser um templo da arte e da cultura no coração do Recife.
Confira a reportagem completa:
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