Jornalismo
Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz lançam livro na Flip
Obra reúne conversa entre as escritoras sobre literatura, memória, racismo e trajetória de mulheres negras, além de dar origem a um documentário previsto para 2027.
Por Redação31 JUL. - 16H55
Jornalismo - Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz lançam livro na Flip (Foto: © Rovena Rosa/Agência Brasil)As escritoras Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz lançaram, durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o livro Escreviventes, publicado pela Pallas Editora. A obra nasceu de uma conversa gravada ao longo de dois dias na Kaza 123, quilombo urbano localizado em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, e reúne reflexões sobre literatura, memória, racismo, maternidade, envelhecimento, amizade e o papel das vivências na construção da escrita.
O lançamento acontece em um momento simbólico para as autoras. Em 2026, Conceição Evaristo completa 80 anos, enquanto Eliana Alves Cruz celebra seus 60 anos. O livro inaugura a coleção Memórias Brasileiras e também servirá de base para o documentário Escreviventes, dirigido por Estevão Ribeiro, com estreia prevista em festivais ao longo de 2027.
Durante a Flip, Conceição destacou que a obra representa um exercício do direito à memória e reforçou o conceito de escrevivência, expressão criada por ela para definir uma escrita alimentada pelas experiências de vida, mas que também incorpora criação e ficção. A autora afirmou que conhecer profundamente a realidade é o que permite construir narrativas ficcionais capazes de dialogar com diferentes memórias e histórias coletivas.
Ao abordar o tema, Conceição citou o romance Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, como exemplo de uma obra que recria memórias históricas por meio da ficção. O livro narra a trajetória da personagem Kehinde, inspirada em mulheres negras reais, entre elas a ativista Luiza Mahin, e é considerado uma das principais referências da literatura brasileira contemporânea.
Para a escritora, tanto o livro quanto o documentário contribuirão para registrar a trajetória de duas autoras negras e ampliar a presença dessas vozes na história da literatura brasileira. Conceição também defendeu maior reconhecimento às mulheres escritoras e aos autores negros, destacando que ainda existe uma dívida histórica em relação à valorização dessas produções.
Eliana Alves Cruz ressaltou a importância de preservar a memória de escritores e intelectuais negros, lembrando que ainda há poucos registros sobre nomes fundamentais da cultura brasileira, como Lélia Gonzalez. A autora também criticou as dificuldades enfrentadas por projetos ligados à história e à memória negra para conquistar espaço no audiovisual, apesar dos avanços observados no acesso à literatura por meio das novas tecnologias.
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