Jornalismo
Cinco anos após ser baleado, trabalhador enfrenta nova batalha judicial contra o Estado
Caso, que ocorreu durante protestos no Recife em 2021, segue sem um desfecho definitivo devido a novos recursos da Procuradoria Geral do Estado
Por Abel Santos30 JUN - 15H21
Jornalismo - Cinco anos após ser baleado, trabalhador enfrenta nova batalha judicial contra o Estado (Foto: Reprodução/Redes Sociais)Em maio de 2021, o que deveria ser um dia comum de trabalho para Daniel Campelo se transformou em uma tragédia irreversível. Enquanto passava pela Ponte Duarte Coelho, no centro do Recife, a caminho de comprar materiais para o seu ofício, Daniel foi atingido no olho esquerdo por uma bala de borracha disparada pela Polícia Militar de Pernambuco (PMPE).
O impacto causou a perda definitiva da visão do olho atingido. Daniel, que não participava dos protestos que ocorriam no local na época, afirma que as imagens de segurança são claras: ele estava caminhando, sem representar qualquer ameaça, e chegou a levantar os braços antes de ser alvejado.
Após cinco anos do ocorrido, o caso vive um novo capítulo de incerteza. Embora Daniel tenha conseguido o direito a uma pensão vitalícia, a briga pela indenização segue se arrastando nos tribunais.
Quanto aos valores em disputa, o processo enfrenta um novo impasse: embora a defesa de Daniel tenha pleiteado inicialmente uma indenização de R$ 4 milhões, a decisão judicial fixou o montante reparatório em R$ 300 mil. No entanto, a situação se agravou recentemente com o recurso apresentado pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), que agora busca reduzir pela metade o valor que já havia sido definido em juízo, além de tentar revisar e limitar a pensão vitalícia que é paga ao trabalhador.
Durante a entrevista, o Dr. Zugiet trouxe um dado grave: em 2022, a defesa solicitou à Secretaria de Defesa Social (SDS) informações sobre o lote das munições de elastômero utilizadas na operação.
Segundo o advogado, houve informações de que o lote utilizado pelo Batalhão de Choque poderia ter vindo de uma compra realizada por outro estado, que teria descartado o material por deficiências técnicas. Contudo, ao ser questionado oficialmente, o Comando Geral da PM informou que não dispunha de registros sobre o lote das munições utilizadas, alegando que tal dado não constava nas guias de fornecimento.
"É um absurdo que a Polícia Militar, ou qualquer órgão de segurança, não tenha o registro de um material letal ou menos letal que ele próprio comprou e colocou nas ruas", criticou o advogado.
Enquanto a batalha judicial continua, Daniel e sua família permanecem em uma situação de vulnerabilidade, aguardando que o Estado assuma a responsabilidade pelo dano irreversível causado em um momento em que a vítima apenas buscava seguir com a sua rotina de trabalho.
Confira a reportagem completa:
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