Jornalismo
Carta de Natal escrita por jovem morto em zoológico comove redes sociais
Gerson de Melo Machado, conhecido como “Vaqueirinho de Mangabeira”, pediu amor, acolhimento e um futuro simples em texto escrito aos 17 anos
Por Rebecca Lilith19 DEZ - 10H00
Jornalismo - Carta de Natal escrita por jovem morto em zoológico comove redes sociais (Foto: Reprodução )Uma carta de Natal escrita por Gerson de Melo Machado, jovem que morreu aos 19 anos após invadir o recinto de uma leoa em um zoológico de João Pessoa (PB), tem gerado forte comoção nas redes sociais. O texto foi divulgado na terça-feira (16) pela conselheira tutelar Verônica Oliveira, que acompanhou o adolescente dos 10 aos 18 anos.
Conhecido como “Vaqueirinho de Mangabeira”, Gerson tinha diagnóstico de esquizofrenia e escreveu a carta aos 17 anos, durante o período em que esteve privado de liberdade no Centro Educacional do Adolescente (CEA), na capital paraibana. Intitulada “Desejo do coração”, a carta fazia parte de uma atividade proposta aos internos, que foram orientados a escrever pedidos para o Natal.
No texto, Gerson não mencionou bens materiais. Entre os desejos, pediu felicidade, afeto e a presença da mãe. “Eu queria ter uma grande felicidade que eu nunca tive, mas, como Deus é maior, um dia irei ter. Eu queria ter visita da minha mãe para ter carinho e amor”, escreveu.
O jovem também revelou sonhos profissionais, como trabalhar como policial florestal ou veterinário, além de agradecer às pessoas que o acolheram durante o período no CEA. Ele citou, de forma especial, a professora Margarete, a quem atribuiu conselhos e apoio recebidos na unidade socioeducativa.
Segundo a conselheira tutelar, a carta veio a público após a professora citada compartilhar a imagem do texto em um grupo do qual faz parte. “É a última carta, do último Natal de Gerson quando ainda era adolescente”, explicou Verônica. Ela também destacou o impacto emocional do conteúdo. “Gerson não desejou nada material, não desejou nada impossível, mas parece que a vida dele foi feita de impossibilidades”, afirmou.
A morte do jovem ocorreu no dia 30 de novembro, quando ele escalou uma parede de cerca de seis metros, ultrapassou grades de segurança, acessou uma árvore e entrou no recinto dos leões em um zoológico de João Pessoa. Gerson foi atacado por uma leoa e não resistiu aos ferimentos. Ele alimentava o sonho de, um dia, domar leões na África.
Laudos periciais solicitados pela Justiça apontaram que, além do diagnóstico de esquizofrenia, o jovem apresentava sintomas psicóticos ativos no momento do ocorrido. A mãe e os avós de Gerson também possuem diagnóstico da mesma doença, segundo os documentos.
A divulgação da carta reacendeu debates sobre saúde mental, acolhimento social e a rede de proteção a jovens em situação de vulnerabilidade, especialmente após atingirem a maioridade.
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