Jornalismo
Brasil tem 2 milhões de trabalhadores por aplicativos, aponta IBGE
Plataformizados têm jornada semanal 5,4 horas maior e rendimento-hora 12% menor que os demais ocupados
Por Redação04 SET. - 14H16
Jornalismo - Brasil tem 2 milhões de trabalhadores por aplicativos, aponta IBGE (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)Cerca de 2 milhões de pessoas trabalharam por meio de aplicativos no Brasil em 2025, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados nesta sexta-feira (4) pelo IBGE. O contingente de 1,959 milhão de trabalhadores plataformizados representa 1,9% do total de ocupados no país.
A maioria atua no transporte de passageiros: 1,2 milhão de pessoas utilizam apps como Uber e 99, o que equivale a seis em cada dez plataformizados (58,9%). Outros 376 mil são entregadores de comida e produtos (19,2%), enquanto 313 mil prestam serviços gerais ou profissionais, como design, tradução e até telemedicina.
Os trabalhadores por aplicativo têm jornada semanal média de 44,7 horas, superior à dos não plataformizados (39,3 horas). Apesar do rendimento mensal médio similar (R$ 3.147 contra R$ 3.148), a diferença na carga horária faz com que o rendimento por hora seja 12% menor: R$ 16,2 contra R$ 18,4.
A informalidade é outra marca do setor. Entre os plataformizados, 72,1% estão na informalidade, contra 42,7% dos demais trabalhadores. Apenas 34% têm cobertura previdenciária, enquanto entre os não plataformizados esse índice chega a 63%.
Dependência - A pesquisa também revela que 86,8% dos plataformizados se declaram trabalhadores por conta própria. No entanto, o IBGE destaca a dependência em relação às plataformas: 80,2% dos motoristas afirmam que o valor recebido por tarefa depende totalmente dos apps, e 78,3% dos entregadores dizem o mesmo.
O levantamento é experimental e já foi realizado em 2022 e 2024. Considerando apenas quem tem os apps como ocupação principal, o número saltou de 1,3 milhão em 2022 para 1,8 milhão em 2025, um crescimento de 36,8% em três anos. A divulgação ocorre uma semana após o STF adiar a retomada do julgamento sobre o reconhecimento de vínculo empregatício entre trabalhadores e plataformas.
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