Jornalismo
Brasil prepara plano de saúde para enfrentar efeitos do El Niño
AdaptaSUS reúne medidas para reduzir impactos de eventos climáticos sobre a população e o sistema de saúde
Por Redação28 AGO. - 19H11
Jornalismo - Brasil prepara plano de saúde para enfrentar efeitos do El Niño (Foto: © Paulo Pinto/Agência Brasil)O Ministério da Saúde apresentou o Plano Setorial de Saúde – AdaptaSUS, criado para preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) para os possíveis impactos do El Niño 2026-2027. A estratégia prevê ações para reduzir riscos relacionados às mudanças climáticas, como aumento de doenças, mortes e pressão sobre os serviços de saúde.
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões. No Brasil, a previsão indica seca, estiagem e queimadas no Norte e Centro-Oeste, intensificação do calor e da seca no Nordeste, além de chuvas intensas e risco de inundações no Sul.
A preparação está organizada em cinco eixos, que incluem salas de situação para monitoramento de emergências climáticas, distribuição de recursos e kits emergenciais, atuação da Força Nacional do SUS e protocolos específicos para cada bioma. O plano estabelece ainda 27 metas e 93 ações para serem desenvolvidas até 2035.
Entre as medidas está a contratação de 18,8 mil cisternas pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), destinadas a 397 municípios de sete estados. O investimento de R$ 226,6 milhões busca ampliar a segurança hídrica em áreas sujeitas à seca e à estiagem.
O AdaptaSUS também utiliza ferramentas de monitoramento climático e sistemas de vigilância para identificar precocemente surtos e outros problemas de saúde pública. A estratégia considera riscos como doenças relacionadas ao calor, problemas respiratórios, enfermidades transmitidas por vetores, impactos da poluição, lesões causadas por eventos extremos e agravamento de problemas de saúde mental.
No Nordeste, onde a previsão aponta aprofundamento da seca e aumento das temperaturas, a preparação inclui medidas voltadas à população mais vulnerável. O Ministério da Saúde destaca que comunidades com menor acesso aos serviços públicos tendem a sofrer impactos maiores e, por isso, as ações devem considerar desigualdades sociais e a chamada justiça climática.
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