Jornalismo
ARTIGO: Encontro de sentimentos e o futebol. Por que escolhi a Inglaterra?
Uma seleção que encontrou sua alma, uma torcida que canta sua história e um golpe de emoção que me fez cruzar continentes
Por José Gustavo13 JUL. - 14H27
Jornalismo - ARTIGO: Encontro de sentimentos e o futebol. Por que escolhi a Inglaterra? (Foto: Site Oficial da Fifa)Esta Copa do Mundo, no México, Estados Unidos e Canadá, já nos presenteou com imagens que irão atravessar o tempo. Houve gols inesquecíveis, jogadas de pura genialidade, despedidas emocionantes (a antecipada de Cristiano Ronaldo, por exemplo) e partidas que entraram para a história. Mas, para mim, nada foi tão bonito quanto o que vem acontecendo nas arquibancadas com a torcida da Inglaterra.
Na vitória por 2 a 1 sobre a Noruega, no último sábado, pelas quartas de final da competição, o time inglês encontrou muito mais do que uma classificação. Encontrou uma celebração daquilo que torna o futebol único. Primeiro, vieram os acordes da canção Wonderwall, Oasis, que vem embalando os jogos. Depois, como se o futebol e a música tivessem nascido para caminhar juntos, milhares de vozes entoaram o clássico Hey Jude, dos Beatles, para embalar o grande nome da partida: Jude Bellingham, autor dos dois gols ingleses.
Naquele instante, o placar perdeu importância. O futebol deixou de ser apenas competição e voltou a ser aquilo que o transformou na maior paixão do planeta: um encontro de sentimentos. Era impossível não se emocionar ao ver a comunhão entre um time que acredita no próprio talento e uma torcida que canta como quem empurra os sonhos de uma nação inteira.
Existe algo raro acontecendo com essa seleção inglesa. Mais do que um elenco talentoso, há identidade. Os jogadores parecem compreender o peso da camisa que vestem, enquanto os torcedores respondem com uma demonstração de afeto que vai muito além do incentivo. É uma relação construída na confiança, na entrega e na esperança de voltar a conquistar o mundo seis décadas após o título de 1966.
Não sei se a Inglaterra levantará a taça. Copas do Mundo nunca foram território de certezas. Essa, na verdade, muito menos. Mas algumas vitórias acontecem antes mesmo do apito final. Conquistar a alma da própria torcida é uma delas. Maior é conquistar o coração de outros torcedores.
Confesso que, sem perceber, fui conquistado.
Admiro o futebol refinado do jovem Jude Bellingham. Sempre fui apaixonado pelo Oasis e amo, literalmente, amo Beatles. Ver tudo isso reunido no mesmo cenário, com um estádio inteiro cantando Hey Jude para um garoto que acabara de decidir uma partida de Copa do Mundo, foi daqueles momentos que lembram por que o futebol consegue emocionar como nenhuma outra manifestação humana.
Agora vem a semifinal contra a Argentina.
E eu sei que essa confissão pode soar estranha. Sou latino. Carrego a alma de um continente que respira futebol. Mas, desta vez, serei o mais eufórico dos ingleses.
Não apenas por Bellingham, nem apenas pelo Oasis ou pelos Beatles. Mas, porque, às vezes, o futebol escolhe um lado do coração antes mesmo que a razão tenha tempo de opinar.
Veja os confrontos das semifinais:
Terça-feira (14)
França x Espanha, 16h (horário do Recife)
Quarta-feira (15)
Inglaterra x Argentina, 16h (horário do Recife)
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