Jornalismo
Anúncio de sanção dos EUA prejudicou operação da PF para prender empresário
Victor Shimada está foragido após operação Exchange ser antecipada; secretária dele foi presa em ação que mira R$ 10 bilhões em lavagem de dinheiro para o PCC
Por Redação com informaões do R703 JUL. - 12H04

Foto: Reprodução Record
O anúncio das sanções impostas pelos Estados Unidos a dois brasileiros por suposta ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital) fez com que a Polícia Federal precisasse antecipar uma operação que já estava autorizada, prejudicando o trabalho dos investigadores e impedindo a prisão de um dos principais alvos.
A operação Exchange foi deflagrada nesta sexta-feira (3) e tinha como alvo o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada e sua secretária, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Shimada está foragido, enquanto Stella foi presa. Segundo a PF, eles integram uma rede internacional de lavagem de dinheiro para o PCC, investigada também na Flórida (EUA).
O anúncio das sanções pelo Departamento do Tesouro norte-americano no último dia 1º de julho atrapalhou os planos da polícia. De acordo com fonte da PF, ficou evidente que Shimada não permaneceria em casa após seu nome ser divulgado na imprensa. "A foto do alvo saiu em todos os jornais. Se não fosse isso, o trabalho sairia normalmente nos próximos dias, com chance muito grande de prendermos todos os envolvidos", afirmou um policial que participou da investigação.
A PF trabalha com a hipótese de que Shimada ainda está no Brasil, pois se deixar o país pode ser extraditado para os EUA. A investigação mirava a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas, com movimentações financeiras superiores a R$ 10 bilhões.
O QUE FALA A DEFESA - A Justiça Federal em São Paulo havia autorizado, ainda em junho, a prisão de 11 investigados e 13 mandados de busca e apreensão. Sob pressão para perder o principal alvo, a PF cumpriu os mandados nas cidades de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Também foi determinado o sequestro de bens, valores e criptoativos até o montante de R$ 10,4 bilhões.
A defesa de Shimada, assinada pelo advogado Yuri Cruz, afirmou em nota que ainda não teve acesso à decisão da Justiça e que qualquer manifestação seria precipitada. Os envolvidos podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
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