Jornalismo
Ajuda internacional tem maior queda da história, aponta estudo
Recursos destinados por países ricos a nações em desenvolvimento caíram 23,1% em 2025, segundo levantamento do Brics Policy Center.
Por Redação03 AGO. - 16H53
Jornalismo - Ajuda internacional tem maior queda da história, aponta estudo (Foto: © Valter Campanato/Agência Brasil)A ajuda internacional concedida por países ricos a nações em desenvolvimento e organismos multilaterais registrou, em 2025, a maior queda da série histórica. Segundo o estudo Financiamento para o Desenvolvimento, elaborado pelo Brics Policy Center, da PUC-Rio, os repasses somaram US$ 174,3 bilhões, uma redução de 23,1% em relação a 2024, o equivalente a US$ 52,4 bilhões a menos. Os pesquisadores também projetam um novo recuo de 6,9% em 2026, o que representaria o terceiro ano consecutivo de queda.
O levantamento aponta que os Estados Unidos lideraram a redução dos recursos, com corte de 56,9% na ajuda oficial ao desenvolvimento, respondendo por cerca de 75% da diminuição registrada no período. França, Alemanha, Reino Unido e Japão também reduziram os repasses. Segundo os pesquisadores, a retração coincide com o novo mandato do presidente Donald Trump e com o aumento dos investimentos em áreas como defesa e segurança energética.
Apesar da queda global, a Ucrânia permaneceu como o maior destino individual da ajuda internacional, impulsionada pelo aumento das contribuições de países e instituições europeias. Em contrapartida, a África Subsaariana foi a região mais afetada pelos cortes, com redução de 23% nos recursos recebidos em 2025. A projeção é de que os repasses voltem a cair no próximo ano.
O estudo também alerta para os impactos humanitários da redução da assistência internacional. Com base em estimativas da Oxfam, os pesquisadores afirmam que os cortes realizados apenas em 2025 podem estar associados a quase 700 mil mortes em excesso e, caso a tendência continue até 2030, o número poderá ultrapassar 9 milhões. Entre as recomendações estão priorizar os países mais vulneráveis, tornar o financiamento mais eficiente e coordenar a redução dos recursos de forma gradual para minimizar os efeitos sobre as populações mais dependentes.
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