Jornalismo
Agricultura ganha 11 milhões de hectares em 41 anos na Mata Atlântica
Dados evidenciam que o desmatamento passou a incidir mais sobre as áreas regeneradas, com vegetação secundária
Por Redação21 SET. - 09H04
Jornalismo - Agricultura ganha 11 milhões de hectares em 41 anos na Mata Atlântica (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)Em 41 anos, a Mata Atlântica perdeu quase 10 milhões de hectares, enquanto a área destinada à agricultura ganhou 11 milhões de hectares, segundo um levantamento do MapBiomas divulgado nesta segunda-feira (21).
Os dados mostram que um em cada quatro hectares de vegetação nativa existentes hoje na Mata Atlântica corresponde a áreas que voltaram a crescer após terem sido desmatadas desde 1985. No total, a Mata Atlântica perdeu 9,7 milhões de hectares de vegetação madura (áreas mapeadas como vegetação nativa desde 1985).
Por outro lado, o bioma ganhou mais de 8 milhões de hectares de vegetação secundária, áreas que voltaram a crescer depois de terem sido desmatadas, no mesmo período. Apesar do crescimento, os dados evidenciam que o desmatamento passou a incidir mais sobre as áreas regeneradas, com vegetação secundária.
Desmatamento - Entre 2021 e 2025, foram suprimidos 1,2 milhão de hectares na Mata Atlântica: 700 mil hectares de vegetação secundária e 500 mil hectares de vegetação madura. Ou seja, 60% da supressão ocorrida nos últimos cinco anos atingiram áreas de vegetação secundária.
Ao mesmo tempo, os números mostram que, em relação à supressão da vegetação nativa, na Mata Atlântica há uma tendência de queda ao longo da série histórica. A partir dos anos 2000, a área de vegetação nativa suprimida ficou abaixo de 2 milhões de hectares em cada período de cinco anos.
De acordo com o MapBiomas, os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo foram os únicos que não apresentaram perda de vegetação nativa nos últimos 41 anos.
Mata Atlântica - Com área de aproximadamente 1,3 milhão de quilômetros quadrados, a Mata Atlântica é o bioma brasileiro com a menor proporção de vegetação nativa. Em 2025, essa cobertura ocupava 32% do seu território, enquanto a agropecuária respondia por 63%.
O levantamento mostra ainda que a área ocupada pela agricultura corresponde a aproximadamente 20,5 milhões, o que representa 19% da área total do bioma. Segundo o MapBiomas, grande parte da expansão ocorreu sobre pastagens, que perderam cerca de 11 milhões de hectares no período.
A conversão de pastagens em agricultura respondeu por 19% das mudanças de cobertura e uso da terra registradas entre o início e o fim da série histórica, em 1985. “A soja ganhou 8,7 milhões de hectares em 41 anos e passou a ocupar 11,11 milhões de hectares em 2025, uma área 4,6 vezes maior do que a área registrada em 1985. A cana-de-açúcar avançou 5 milhões de hectares e alcançou 6,15 milhões de hectares, 5,3 vezes a área de 1985", informou o MapBiomas.
Em 2025, a Mata Atlântica concentrava 25% da soja, 50% da cana-de-açúcar, 68% do café (833 mil hectares) e 34% do citrus (141 mil hectares) das áreas mapeadas no Brasil. Outro ponto de destaque é o avanço da silvicultura, que apresentou aumento de 3,8 milhões de hectares, chegando a 4,9 milhões de hectares em 2025.
Áreas urbanizadas - Na Mata Atlântica, as áreas urbanizadas cresceram 2,5 vezes entre 1985 e 2025. O acréscimo foi de 1,3 milhão de hectares, e a área total chegou a 2,3 milhões de hectares. Os estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais registraram os maiores aumentos absolutos de áreas urbanizadas entre 1985 e 2025.
“Quanto à extensão das áreas urbanizadas, mais de 80% dos municípios da Mata Atlântica apresentavam menos de mil hectares urbanizados em 2025. Apenas São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba ultrapassavam 30 mil hectares”, afirma o MapBiomas.
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