Jornalismo
“A gente sabe como é viver dentro de uma comunidade”: Flávio Andradde volta a Paulista com show beneficente
Em entrevista à TV Guararapes/RECORD, ele relembrou momentos de sua infância em Maranguape I
Por Abel Santos19 DEZ - 18H09
Jornalismo - “A gente sabe como é viver dentro de uma comunidade”: Flávio Andradde volta a Paulista com show beneficente (Foto: Reprodução/TV Guararapes)Admirador do comediante Zé Lezin, Flávio Andradde, de 35 anos, é um dos grandes nomes do stand-up comedy brasileiro. Ele, que viveu sua infância e adolescência em Maranguape 1, na cidade do Paulista, Região Metropolitana do Recife, e adorava imitar o jornalista Cardinot nas horas vagas, rompeu a "bolha Nordeste" e caiu nas graças do povo há cerca de 10 anos. Apenas no Instagram, onde publica cortes de seus shows, soma mais de 100 milhões de curtidas.
Em entrevista à TV Guararapes/RECORD, o humorista deu detalhes sobre o seu show beneficente, que acontece no próximo domingo (21) em seu bairro natal. Ele também relembrou seus últimos momentos em Pernambuco antes de sua partida para São Paulo, onde vive e se apresenta semanalmente há quase seis anos.
“Já tinha essa ideia de voltar para fazer um show lá dentro da comunidade, mas não sabia onde e como. Até que fiquei sabendo que um prédio ao lado da rua onde morei estava interditado por risco de desabamento. Conversei com meus amigos e eles me ajudaram. Empresas também. Tudo de forma voluntária”, contou. O show “Um Rolê Pelo Bem”, no Parque Emílio Russel, às 16h, promete deixar o público “sem ar” de tanto rir.
“A gente quer arrecadar uma tonelada de alimentos e distribuir para as famílias de Maranguape. É uma forma de retribuição, sabe? Nada melhor do que ser no Natal, com esse clima”, espera.
Durante a conversa, ele destacou sua realidade humilde durante a infância e a perda de amigos influenciados pela violência. “A gente sabe como é viver dentro de uma comunidade. Estudei em escola pública e via o esforço dos meus pais. Eu tive a oportunidade de abrir esse leque de vida; muitos não tiveram. Eu tive uma boa educação”, relembrou o youtuber com mais 800 mil inscritos.

Antes de estrear como ator em programas locais e ganhar notoriedade em reality shows de humor, ele gravava vídeos imitando apresentadores de programas policiais — sinônimos de sucesso de audiência nas emissoras locais — juntamente com seus amigos do prédio, e os publicava nas redes sociais. O humor sempre foi sua maior característica.
“Depois, as coisas foram acontecendo. Fui fazer teatro e veio o convite do Papeiro da Cinderela”, contou o “tabacudo”, apelido adotado pelos seguidores após um conteúdo viralizar. “Eu fiz um vídeo falando sobre os homens bestas que ligam um som alto na praça para chamar atenção das mulheres. O povo começou a comentar, mas eu fui crescendo muito ‘de escadinha’. Na época, foi no Facebook; tudo começou a acontecer por lá”.
Questionado sobre o preconceito vivido por ser nordestino em São Paulo, ele afirmou que, “graças a Deus”, não foi vítima. “Sempre fui tratado com muito respeito, nunca passei por nada. Conheço gente que passou”, esclareceu. De acordo com a ONG SaferNet Brasil, 10.686 casos de xenofobia contra nordestinos foram registrados em 2022.
“Minha maior referência no humor sempre foi Zé Lezin. Ele foi meu mestre. Eu quis ser comediante porque queria fazer o que ele fazia. No meu show, há muitas referências dele”, revelou sobre sua admiração pelo parceiro de profissão que, há mais de 30 anos, é um símbolo da cultura popular brasileira. Para Flavio, tudo o que vive hoje era um verdadeiro sonho anos atrás. “Sou muito grato e entendo que tudo isso é um sonho. Não quero perder o brilho. Sempre procuro buscar mais”. Atualmente, seus finais de semana consistem em viajar pelo Brasil para se apresentar e “deixar as pessoas mais felizes”.
As palavras “depressão” e “ansiedade” são as mais comuns nos relatos de seus seguidores. Em uma era em que se pauta a saúde mental o tempo inteiro, ele se mostra um aliado da causa. “Escuto muitos relatos, muitas mensagens. Fico, às vezes, até sem reação. Só agradeço por proporcionar isso às pessoas”, contou. “Na pandemia, foram seus vídeos que me salvaram”, compartilhou um seguidor.
Sobre a construção das piadas e dos shows de comédia, ele roteiriza e debate com outros dois criadores semanalmente. “A gente senta e fala: ‘sobre o que iremos falar esta semana?’. E, assim, a gente escreve”, revelou. Quando a piada não ganha o público, a ideia é uma só: “passar para a próxima”. Para ele, não é possível ter uma noção concreta do que vai agradar ao público. “Como também tem coisas que a gente acha que não vão gostar muito e são as que mais funcionam”, contou.
“Durante uma piada, todo mundo tem que estar bem. A minha comédia é uma comédia simples. Gosto da comédia que todo mundo se identifique. O tipo de comédia que eu assisto é a que eu faço”, finalizou.
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