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"Eu trouxe o pop para o forró": Samya Maia celebra quase três décadas no forró eletrônico
"Chamego ou Xaveco?" é um dos seus maiores hits
Por Abel Santos18 JUN - 15H55
Entretenimento - "Eu trouxe o pop para o forró": Samya Maia celebra quase três décadas no forró eletrônico (Foto: Reprodução/Redes Sociais)Com quase três décadas de uma trajetória que se confunde com a própria história do forró eletrônico, Sâmya Maia vive um momento de reafirmação. A cantora, que se consagrou nacionalmente à frente da banda Magníficos por 18 anos, hoje celebra sua carreira solo com a maturidade de quem viu o mercado se transformar — do auge do sucesso orgânico dos anos 2000 à era do digital e da hiperconectividade.
Em entrevista exclusiva ao Portal R7, Sâmya falou sobre a expectativa para o São João 2026, a importância do resgate histórico na música e os desafios de manter a relevância em um mercado cada vez mais disputado.
O São João como validação
Para Sâmya, a agenda junina é o termômetro do prestígio de um artista. Com apresentações confirmadas nas maiores festas do Brasil, incluindo o aguardado retorno ao Pátio do Forró, em Caruaru, e a presença constante no Parque do Povo, em Campina Grande, a cantora destaca que o palco é onde a conexão com o público se renova.
"Estarei em Caruaru este ano, num dia muito especial, ao lado de grandes nomes. É uma volta que me deixa muito feliz", celebra a artista, que há oito anos mantém uma carreira solo sólida, sem nunca ter se ausentado dos palcos juninos (à exceção do período pandêmico).
Inovação e o resgate da raiz
Mesmo sendo um nome de peso do forró eletrônico, Sâmya reforça que nunca deixou o forró tradicional sair de suas "veias". A cantora aponta que, curiosamente, muitos nomes da nova geração e do piseiro têm recorrido às sonoridades das décadas de 90 e 2000 para manter o engajamento.
"Muitos cantores que antes criticavam, hoje têm que recorrer ao nosso forró para engajar novamente. Isso é bom, valoriza nossa história", afirma. Sâmya cita como exemplo o sucesso da nova versão de É Chamego ou Xaveco?, gravada em parceria com Michelle Andrade. A música, que completa 22 anos, continua sendo um fenômeno de coreografias na internet, provando que o trabalho bem feito atravessa gerações.

O debate sobre a diversidade nos palcos
Questionada sobre a polêmica presença de ritmos como o axé, sertanejo e pop nos grandes festivais de forró, Sâmya defende um "meio-termo". Para ela, o mercado atual é regido por uma lógica empresarial que exige alta venda de ingressos, o que acaba ditando as grades de programação.
"Acho que deveria haver um equilíbrio maior. Temos grandes talentos que são fundamentais para a identidade dos seus estados e que deveriam ter mais espaço. O que a gente vê, às vezes, é um público que pede forró, mas que, na prática, não prestigia o artista tradicional quando ele sobe ao palco. Precisamos educar o público e valorizar quem construiu esse movimento", pondera.
O futuro do forró
Ao olhar para os próximos 50 anos, Sâmya acredita que a música de qualidade continuará soberana, independentemente da tecnologia. Ela destaca nomes como João Gomes como exemplos positivos de renovação dentro da cena atual, mas ressalta que o diferencial é a capacidade de "perdurar".
"Espero que a galera que está fazendo música hoje consiga encontrar um caminho para perpetuar seu trabalho. O mercado hoje é volátil, tem muita música que nasce e morre em um mês. A gente tem a sorte de ter construído músicas que, 30 anos depois, ainda são cantadas por crianças na frente do palco", conclui.
Com a bagagem de quem ajudou a definir a "cultura pop" do forró e a energia de quem segue se reinventando, Sâmya Maia promete um São João emocionante, reafirmando que o forró, em todas as suas vertentes, continua sendo a pulsação mais forte do Nordeste.




