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“Eu não estou surfando no hype”: Ellyson, ex-vocalista da Banda Sentimentos, fala sobre sua paixão pelo samba
Em entrevista à TV Guararapes/RECORD, o jovem artista de 28 anos revelou seus próximos passos
Por Abel Santos28 NOV - 17H22
Entretenimento - “Eu não estou surfando no hype”: Ellyson, ex-vocalista da Banda Sentimentos, fala sobre sua paixão pelo samba (Foto: Reprodução/TV Guararapes)Foi em meados de 2019 que, na Banda Sentimentos, Ellyson Marques chamou a atenção do público pernambucano. Sua voz afinada conquistou a nação bregueira, que sentia falta da juventude cantando o amor. Na época, ao lado da cantora Zianne, emplacou grandes hits, sendo eles: “Clichê”, que soma mais de 25 milhões de visualizações no YouTube, e “Onde Estás”, canção ouvida mais de 64 milhões de vezes. Após quase cinco anos de shows lotados, projetos no audiovisual e feats de sucesso, a dupla de amigos chocou ao anunciar a saída da banda: o sonho era o mesmo – a carreira solo.
Contudo, foi em outro ritmo que Ellyson, de 28 anos, se encontrou. Em entrevista à TV Guararapes/RECORD, o jovem artista revelou sua paixão pela música e suas raízes em um dos gêneros musicais mais ouvido do país: o samba.
“Eu estou vivendo uma das melhores fases da minha vida, tanto pessoal, quanto profissional. E isso não tem muito a ver com números. Tem mais a ver com realização mesmo. Profissionalmente, eu estou bem, bem feliz, bem animado”, contou sobre os seus projetos no samba.
Para ele, havia uma “apreensão no ar” ao deixar a Banda Sentimentos, principalmente pela reação do público, que sempre o enxergou no brega. “Eu sabia que eu tinha muitos fãs que curtiam o trabalho da banda. Tinha muito apoio, mas eu não sabia como ia ser num contexto geral”. E foi a partir dessa inquietação que ele sentiu a necessidade de “querer fazer algo bom, algo de qualidade”.
“Queria chegar e entrar no samba com o pé direito. Fiz o projeto e, quando escutei, vi que era exatamente isso. Eu estou super confiante e animado com a repercussão maravilhosa e com o retorno das pessoas. Muita gente que era fã de brega acabou começando a gostar de pagode porque me ouviu cantando pagode”, revelou sobre o surgimento do “Com Amor e Samba”, que até então era gravado e publicado nas plataformas de streaming.

“Eu acabei trazendo também essa questão do romantismo, do sentimentalismo que a gente cantava no brega, na Sentimentos, para o samba. Eu fiz um álbum de seis faixas, um EP, na verdade, com vários pot-pourris, e cada um tem uma pegada específica: um é mais pagode 90, outro traz uns mais atuais, outro traz um ‘pagobregas’ – peguei alguns bregas e gravei com pagode, justamente pensando nessa transição para não mudar tão drasticamente assim, e ainda ter aquele contato com o brega.”
Apesar do entusiasmo, o projeto enfrentou um desafio de saúde: uma amidalite surgiu no dia da gravação. “Eu fiz com tanto carinho e me dediquei tanto àquele projeto e, enfim, superei tanta dificuldade. Inclusive, no dia que eu gravei esse projeto, eu estava com uma crise de amidalite, mas mesmo assim eu disse que eu não ia desistir e fui, gravei, e no final correu tudo bem”, finalizou. O esforço valeu a pena: só no YouTube, os pot-pourris, medleys e canções foram ouvidas quase 750 mil vezes.
Raízes
Ellyson fez questão de frisar que a mudança de gênero não foi oportunismo: “Eu não estou fazendo um projeto à parte, eu não estou surfando num hype... É porque este projeto era um sonho, porque o meu contato com samba, ele vem desde que eu me entendo por gente”, revelou. Seu primeiro instrumento foi um cavaquinho, reflexo da influência familiar, já que seu pai e seu avô eram responsáveis pelas rodas de samba da família.
“Meu pai é músico de samba, ele é sambista, me levava quando eu era pequeno para onde ele ia tocar. A gente fazia roda de samba em família. Entrei na mídia como cantor de brega, mas antes disso eu já cantava, já fazia covers, já fazia voz e violão, trabalhava em barzinho, cantava em festas, eu fazia samba, fazia MPB”, disse.
Das plataformas para as ruas
Quatro edições do projeto foram realizadas em bares e casas de shows. Mas foi em novembro deste ano que tudo mudou. No último dia 16, as ruas do Recife Antigo foram tomadas pelos fãs de Ellyson. O “Com Amor e Samba”, aberto ao público, recebeu a cantora Raphaela Santos, MC Tocha e Enry Sanches.
“Já tinha feito outras rodas de samba, mas aquela foi um marco. Aquilo ali foi o momento mais grandioso do ano para mim, porque eu pude ver o resultado de tudo aquilo que eu venho construindo, sabe? Eu pude ver um pouco do que eu posso colher, de acordo com o meu empenho, porque eu venho trabalhando muito nesse projeto, porque está sendo o meu xodó, está sendo, tipo, um filho para mim. E ver aquilo ali foi uma super realização, fiquei muito feliz, parecia que eu estava vivendo um sonho. Um sonho que eu por muitas vezes desacreditei, né? Porque eu fazia parte de uma banda, então era tudo dividido. Eu nunca sabia se as pessoas estavam ali por mim, se estavam por Zianne, se estavam pelos dois, sabe? Se só funcionava com os dois, ou se funcionava comigo sozinho, ou, enfim. Aquilo ali foi uma confirmação, um presentão para mim”, contou.
Um fato chamou a atenção: os fãs, majoritariamente, estavam vestidos com roupas na cor verde. Ele garante que foi de forma espontânea.
“O samba foi tomando uma identidade visual também na cor verde, o pessoal começou a ir de verde, eu comecei a focar, a usar isso estrategicamente para criar uma identidade visual do projeto mesmo, ficou bem legal”, contou.

Dois Ritmos, Duas Identidades
Durante a entrevista, ao ser questionado sobre as influências e as bagagens do brega que podem ser levadas ao samba e ao pagode, o cantor fez questão de ressaltar o que une os ritmos: a emoção. Embora, tenham uma “pegada diferente”.
“Musicalmente falando, samba tem uma sonoridade diferente, são instrumentos diferentes, uma pegada bem diferente, até da dança em si do brega. Eu acho que o que une realmente esses dois gêneros e o motivo de eles fazerem tanto sucesso, principalmente aqui em Recife, é essa questão mais sentimental”, falou.
Relação com Zianne
Para o público e para a imprensa, é impossível falar de Ellyson e não associar a Zianne Martins, sua parceira de palco durante cinco anos. Atualmente, a cantora, seguida por mais de 1 milhão de pessoas em suas redes sociais, segue também em carreira solo no brega. Na época, havia uma grande dúvida e falácia das pessoas em relação à dupla. Se eram casados, namorados, irmãos ou apenas amigos.
“A gente tem um pouco menos de contato agora, né, porque, obviamente, as coisas mudaram, a gente não tem aquele contato que a gente tinha quando estava sempre trabalhando junto. Mas a gente se fala ainda, inclusive ela apareceu de surpresa em uma das edições do ‘Com Amor e Samba’, acho que foi na terceira edição. Ela apareceu lá de surpresa, a gente cantou junto, cantou uma música da Sentimentos, inclusive, em pagode, que foi ‘Pouca Roupa’. A galera curtiu muito, foi uma surpresa massa”, relembrou.

Novos Projetos
São Paulo: este é o estado que Ellyson deseja expandir seu projeto de samba. Ele tem feito contato com produtores e músicos do Brasil inteiro a fim de tornar o “samba do Recife” reconhecido pelo país.
“A meta agora, a minha meta mais próxima, é a gente finalizar o ano com chave de ouro, com um EP que a gente está preparando surpresa. É, e é isso. São os meus dois próximos passos. E a gente seguir fazendo a Roda de Samba ‘Com Amor e Samba’, que está sendo o nosso xodó, está sendo a nossa menina dos olhos e a gente está muito feliz com o resultado”, finalizou.




