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Como viver o luto? Jão desabafa sobre perda do pai em novo álbum
Com lançamento do novo projeto, cantor compartilha vivência após perdas e reflete sobre o peso do luto no dia a dia
Por Duda Ferreira30 JUL. - 11H49
Entretenimento - Como viver o luto? Jão desabafa sobre perda do pai em novo álbum (Foto: Reprodução/Redes Sociais)Com o lançamento do mais novo álbum “Memórias Póstumas”, Jão reflete sobre como o luto afeta o cotidiano e compartilha sua vivência após a perda do pai, em junho do ano passado. Mas, afinal, como viver o luto?
No domingo (26), o artista promoveu a listening party do seu novo disco, evento onde fãs e convidados escutam um álbum inédito antes ou no dia do lançamento, e revelou ter perdido a perspectiva de produzir músicas após a perda. Foi durante o período de pausa na carreira, que durou mais de um ano, que o artista conseguiu lidar com o processo de luto e compartilhar suas experiências com seus ouvintes.
O novo disco gerou debates nas redes sociais, com diversos internautas compartilhando seus processos de luto e discutindo sobre como passar por essa fase. Fato é que não existe um “manual” sobre como lidar com o luto.
A doutora em psicologia e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Silvia Maciel, explica que a experiência de elaboração do luto é totalmente singular. “Não existe uma forma correta ou errada de viver o luto. Há singularidade, cada pessoa passa por esse processo à sua maneira, é preciso tomar cuidado com generalizações e julgamentos”, afirma.
No caso do cantor, por exemplo, a produção do álbum e o período em que passou com sua família, longe dos holofotes, no interior de São Paulo foram de grande ajuda. O artista menciona o período de composição do disco como “um processo muito feliz”.
O tom confessional da produção fez com que milhões de pessoas se sentissem conectadas com o sentimento, o que o próprio artista reconheceu. De acordo com Silvia Maciel, buscar o isolamento enquanto se vive o luto é uma atitude prejudicial para a vivência da pessoa enlutada.
“É importante que a pessoa enlutada não se isole do mundo. Em alguns casos, muitas pessoas não conseguem passar por esse processo automaticamente, é preciso uma intervenção, fazer terapia ou estar próximo a pessoas queridas”, destaca.

Além disso, a doutora em psicologia reforça, também, que aceitar a dor é necessário para que o sofrimento não se torne cada vez mais prolongado. “Não negar essa dor, aceitar essa dor, leva à recuperação”, explica.
Foi exatamente assim que Jão encontrou forças para retornar aos palcos. O artista havia mencionado como ouvir o álbum “Virgin”, da cantora neozelandesa Lorde, o ajudou a perceber que escrever sobre seus sentimentos poderia ajudá-lo a lidar melhor com suas perdas.
Além da morte do pai, em junho do ano passado, Jão também passou pela perda das duas avós, um dos motivos para seu afastamento da música. “Eu não vivi o luto das minhas avós, tratei meu corpo muito mal e vi meu relacionamento acontecer e desacontecer”, relata o cantor em uma postagem no Instagram.
Conforme o processo de divulgação do álbum “Memórias Póstumas” está em andamento, Jão fala com muito carinho do seu pai, como sua presença está marcada no cotidiano e como a música guarda lembranças.
“Se a única coisa que resta são as minhas palavras, então decido, aqui e agora, que é nelas que morará para sempre todo meu amor”, cita o artista no trailer de divulgação do disco.
Para Silvia, conforme o luto vai sendo processado, a dor é transformada em lembrança. “Ao longo do tempo a dor do luto vai se enchendo de memórias e, para que isso ocorra, é preciso que haja a elaboração do luto. A perda se transforma em boas memórias”, afirma.
Mas, esse sentimento não é vivido apenas por causa da morte. Sonhos não realizados, relacionamentos que chegaram ao fim, laços rompidos e até mesmo a saudade da infância também assumem a forma do luto.
“Nós passamos por vários lutos ao longo da vida, conforme vamos envelhecendo, essas perdas tornam-se mais constantes”, destaca Silvia. À medida que esse sentimento vai sendo elaborado pela pessoa, a saudade vira acalento ao invés de dor.




